IX

No Grau VII, no capítulo sobre a instrução mágica da alma, tratei da questão da clarividência. Nesse grau, pretendo examiná-la mais atentamente e em detalhes. As mais diversas indicações para o desenvolvimento desse tipo de habilidade até hoje publicadas não atingiram o objetivo proposto. Mesmo as pessoas medianamente dotadas só alcançaram um êxito parcial, pois, geralmente, cedo ou tarde, elas perdem essa capacidade. Muitas vezes essas pessoas ainda são vítimas de diversas doenças, como fraqueza visual, males do sistema nervoso, etc. A principal causa de uma doença não pode ser atribuída ao fato de a clarividência alcançada ter sido consequência do desenvolvimento mental e astral, mas sim ter sido produzida à força, e, portanto, é unilateral e doentia. Uma prática de qualquer dessas indicações incompletas leva inevitavelmente a uma paralisia doentia e antinatural de um elemento, provocando o aparecimento de uma hipersensibilidade de um dos órgãos dos sentidos. Não é improvável captarem-se impressões do mundo astral ou mental através da hipersensibilidade desses sentidos, mas todas essas percepções dependem da disposição espiritual da pessoa, da sua maturidade e, em última análise, de seu karma.

A paralisia de um elemento pode ser classificada em quatro grupos principais, que são:

Grupo 1. Paralisia do Princípio do Fogo A esse grupo pertencem todas as experiências de clarividência realizadas através da fixação do olhar, como a vidência no cristal, a fixação da visão num ponto determinado, numa garrafa brilhante, na tinta preta, no café preto, no espelho, etc.

Grupo 2. Paralisia do Princípio do Ar Nesse grupo incluem-se todas as experiências de clarividência promovidas através de defumações, inalação de vapores narcóticos, gases, etc.

Grupo 3. Paralisia do Princípio da Água Esta é provocada por experiências que levam à corrente sanguínea, através da digestão, substâncias narcóticas e alcaloides ingeridos pela pessoa, como ópio, haxixe, soma, peyotl, mescalina.

Grupo 4. Paralisia do Princípio da Terra Esta é provocada pelas práticas que promovem uma ruptura ou desvio da consciência, como, por exemplo, dançar, balançar o corpo, girar a cabeça, batucar com os pés e outros. Todas as visões involuntárias e doentias dos doentes mentais, além de todos os casos patológicos que se instalam através do terror, da raiva e da exaustão, pertencem a esse grupo.

Poderíamos falar muita coisa sobre a variedade desses exercícios, seus perigos e desvantagens. Mas para o mago verdadeiro essa breve descrição deve bastar. É evidente que a paralisia do princípio de um elemento não só traz danos à saúde — principalmente quando essas experiências são praticadas por longos períodos, transformando-se em hábitos — mas também inibem o desenvolvimento espiritual. Com esses quatro grupos principais, o cético tem a oportunidade de se convencer da existência de energias superiores; mas, quando ele não consegue dominar-se a si mesmo e nem aos elementos, submete-se facilmente às tentações de energias inferiores. E, uma vez dominado por elas, é muito difícil para ele erguer-se novamente.

Só um mago instruído, com uma grande força de vontade e que já domine os elementos e os sentidos astrais depois de praticar os exercícios de cada etapa, pode se permitir uma paralisia ou um desligamento temporário de um dos princípios dos elementos, sem correr o risco de sofrer algum dano no corpo, na alma ou no espírito. O verdadeiro mago consegue restabelecer o equilíbrio dos elementos em seu corpo, sua alma e seu espírito através dos exercícios. O seu desempenho na prática da clarividência também será satisfatório, pois ele não faz experiências: ele trabalha conscientemente com as capacidades adquiridas, que são consequência do seu desenvolvimento espiritual e anímico.