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Quem quer que acredite encontrar nesta obra apenas um método que o ajude a adquirir poderes e capacidades de modo fácil e rápido, certamente ficará decepcionado ao ler este livro. Para o iniciado não existem milagres no sentido comum da palavra, pois para ele não há nada de sobrenatural. Tudo o que acontece baseia-se em leis imutáveis. O conhecimento dessas leis e a sua aplicação prática é que dão ao iniciado a possibilidade de realizar coisas que aos olhos dos não-iniciados parecem milagres.

O que chamamos de magia nada mais é do que a ciência mais elevada que existe em nosso planeta, pois ela ensina as leis metafísicas e também as leis físicas de todos os planos. Desde os tempos mais remotos essa ciência foi chamada de magia, mas infelizmente ao longo do tempo ela foi sendo mal interpretada por pessoas que não tinham a menor noção do que ela realmente representava, e por isso o seu conceito foi muitas vezes deturpado. O objetivo desta obra é justamente o de reabilitar o conceito de magia e de mostrar ao leitor o caminho correto para a sua realização prática.

A magia é uma ciência que exige do estudante um esforço constante e uma dedicação total. Não se pode aprender magia do dia para a noite, assim como não se aprende qualquer outra ciência de modo rápido e sem esforço. É necessário que o estudante siga passo a passo as instruções contidas neste livro, sem saltar nenhum capítulo, pois cada um deles é a base para o seguinte. Somente através de um estudo perseverante e de uma prática constante é que o estudante poderá alcançar os resultados desejados.

Esta obra está dividida em duas partes: a teórica e a prática. A parte teórica explica as leis fundamentais do universo e do homem, e fornece ao estudante o conhecimento necessário para a compreensão dos exercícios práticos. A parte prática contém os exercícios propriamente ditos, que devem ser realizados de modo sistemático e gradual. É importante que o estudante não tente realizar os exercícios da parte prática sem antes ter compreendido perfeitamente a parte teórica, pois isso poderia ser perigoso.

O caminho da iniciação é árduo e cheio de obstáculos, mas os resultados que se podem alcançar compensam amplamente todo o esforço empregado. O iniciado torna-se o mestre de seu próprio destino e passa a viver em harmonia com as leis do universo. Ele adquire uma compreensão profunda da vida e da morte, e descobre o verdadeiro sentido da sua existência.

A Imagem do Mago

A primeira carta do Tarot, o Mago, representa o iniciado que domina os elementos e que possui o conhecimento das leis universais. Ele está em pé diante de uma mesa sobre a qual se encontram os símbolos dos quatro elementos: a faca (ar), o cálice (água), o bastão (fogo) e a moeda (terra). Com a mão direita ele segura o bastão voltado para o céu, e com a mão esquerda aponta para a terra. Esse gesto simboliza a lei da analogia: "tudo o que está em cima é como o que está embaixo".

O Mago é o símbolo da vontade humana em harmonia com a vontade divina. Ele é aquele que conseguiu equilibrar os elementos em si mesmo e que agora pode utilizá-los para realizar a sua obra no mundo. O chapéu em forma de oito deitado (lemniscata) sobre a sua cabeça simboliza a eternidade e o infinito, e mostra que o seu conhecimento e o seu poder não têm limites. O cinto em forma de serpente que morde a própria cauda (ouroboros) simboliza o ciclo eterno da vida e da morte, e a regeneração constante da natureza.

O Mago é o exemplo que o estudante deve seguir em sua caminhada. Ele deve procurar desenvolver em si mesmo a vontade, o conhecimento e o equilíbrio representados por essa carta. Somente assim ele poderá tornar-se um verdadeiro iniciado e alcançar a meta suprema da magia.

Os Elementos

Tudo o que foi criado, o macrocosmo assim como o microcosmo, ou seja, o mundo grande e o pequeno, foi criado através da ação dos elementos. Por essa razão, logo no início da iniciação, dedicaremos nossa atenção a esses poderes, salientando sobretudo a sua profunda e vasta importância. Na literatura oculta até agora pouco se falou sobre os poderes dos elementos, por isso considerei minha tarefa tratar desse tema ainda desconhecido e descerrar o véu que encobre as suas leis. Não é muito fácil explicar aos não-iniciados a complexidade dessas forças de modo que eles possam ser devidamente orientados e ter a possibilidade de trabalhar com elas na prática.

A origem dos elementos é o Akasha, o princípio primordial do qual falaremos em um capítulo à parte. O Akasha é a causa de tudo o que foi criado e de tudo o que ainda está por ser criado, enfim, o mundo das ideias. Por isso os elementos devem ser considerados como derivados do princípio do Akasha. No início de tudo temos os elementos fogo, água, ar e terra. Segundo as tradições orientais eles são chamados de Tejas (fogo), Apas (água), Waju (ar) e Prithivi (terra). O que na doutrina oriental é chamado de Tattwa, na nossa língua significa o princípio, a força ou o elemento. Esses Tattwas são as forças vibratórias do Akasha, que se manifestam de diversas formas. Na prática cada elemento possui duas polaridades, a ativa e a passiva, ou seja, a positiva e a negativa.

O princípio do fogo (Tejas) é o primeiro elemento que surgiu do Akasha. Esse elemento, assim como todos os outros, não atua apenas em nosso plano material denso, mas em tudo o que foi criado. As características básicas do princípio ígneo são o calor e a expansão. Por isso, no início de toda a criação devem ter existido a luz e o fogo. Na Bíblia está escrito: "Fiat Lux" (Faça-se a Luz). A luz tem como base o fogo. Cada elemento, portanto também o fogo, possui duas polaridades, a ativa e a passiva, ou seja, a positiva e a negativa. O plus (+) é sempre o elemento construtor, criativo, produtor; o minus (-) é o elemento destruidor ou desagregador. Por isso devemos sempre considerar as duas características básicas de cada elemento. As religiões sempre atribuíram o bem ao lado ativo e o mal ao lado passivo. Mas, fundamentalmente, não existem o bem e o mal; essas são apenas definições humanas. No Universo não existe o bem nem o mal, pois tudo foi criado segundo leis imutáveis, nas quais se reflete o princípio divino, e somente através do conhecimento dessas leis é que poderemos nos aproximar do Divino.

Como já dissemos, o princípio do fogo possui a característica da expansão, que para uma melhor compreensão chamaremos de fluido elétrico. Essa definição não se refere à eletricidade material comum, apesar de ter com ela uma certa analogia. A característica da expansão é idêntica à extensão. Esse princípio elementar do fogo é ativo e reside em tudo o que foi criado, em todo o macro e microcosmo, desde o menor grão de areia até a maior estrela visível ou invisível.

O princípio da água (Apas). No capítulo anterior estudamos a origem e as características do elemento fogo. Neste capítulo pretendo descrever o princípio oposto, a água. Ela também surgiu do Akasha, do princípio etérico. Em comparação ao fogo, ela possui características totalmente opostas; suas propriedades básicas são o frio e a contração. Também nela devemos considerar os dois polos. O ativo é o construtor, o doador de vida, o nutritivo e o preservador; o passivo, assim como no fogo, é o desagregador, o fermentador, o divisor e o dissipador. Como a característica básica desse elemento é a contração, dele surgiu o fluido magnético. O fogo e a água atuam em todas as regiões. Segundo a lei da criação, o princípio do fogo não poderia existir sozinho se não tivesse em si, como oposto, o princípio da água. Esses dois elementos, fogo e água, são os elementos básicos com os quais tudo foi criado. Em vista disso, devemos contar sempre com esses dois fluidos, o elétrico e o magnético, que possuem entre si leis opostas.

O princípio do ar (Waju). Um outro elemento originário do Akasha é o ar. Os iniciados não consideram esse elemento como um elemento real, mas sim como o mediador entre os princípios do fogo e da água, que estabelece o equilíbrio neutro entre a atuação ativa e a passiva do fogo e da água. Através da interação do fogo e da água, toda a vida criada tornou-se um movimento vibratório. Em sua função de mediador, o princípio do ar assumiu do fogo a característica do calor, e da água a da umidade. Sem essas duas características a vida não seria possível. Essas duas características dão ao princípio do ar também duas polaridades, a saber: a polaridade doadora de vida em seu aspecto positivo, e a polaridade destruidora em seu aspecto negativo.

Não preciso acrescentar que os elementos mencionados não são o fogo, a água e o ar comuns, do modo como os conhecemos no plano material denso; esses seriam apenas os seus aspectos materiais. Aqui tratamos apenas das características metafísicas dos elementos.

O princípio da terra (Prithivi). Já dissemos que o princípio do ar não é propriamente um elemento, e essa afirmação vale também para o princípio da terra. Isso significa que, da interação dos três elementos mencionados, surgiu por último o elemento terra, como o mais denso, que através da sua característica específica de solidificação envolve os outros três elementos. É justamente essa característica que deu aos três elementos uma forma concreta. Mas ao mesmo tempo a atuação desses elementos foi limitada, dando origem ao espaço, à medida, ao peso e ao tempo. A atuação mútua dos três elementos junto com o elemento terra tornou-se quadripolar, por isso o princípio da terra pode ser chamado de magneto quadripolar. O fluido no elemento terra é eletromagnético. Como todos os elementos estão ativos no quarto elemento, a terra, pode-se explicar nela tudo o que foi criado. Através da realização nesse elemento surgiu o "Fiat" (o "Faça-se").

O Magneto Quadripolar

Tudo o que foi criado é governado pelo mistério do Tetragrammaton, o nome de Deus de quatro letras (Iod-He-Vau-He). Esse é o esquema sobre o qual toda a criação se baseia. O primeiro "Iod" simboliza o fogo, o "He" a água, o "Vau" o ar e o segundo "He" a terra. O iniciado chama esse mistério de magneto quadripolar.