Uma das tarefas mais difíceis no trabalho com o espelho é a pesquisa exata do passado, presente e futuro de outras pessoas. É compreensível que o mago consiga ver seu próprio passado e presente no espelho como num filme, mas com certeza ele evitará fazer isso. Se o mago quiser satisfazer a curiosidade de conhecer o seu futuro, não será difícil sintonizar-se com ele através do seu espelho mágico e pesquisar cada detalhe.
Mas ele teria uma grande desvantagem: no momento em que vislumbrasse o seu futuro no espelho, ele estaria despojado de seu livre-arbítrio. Seria então como um modelo a ser seguido, sem que ele pudesse fazer algo contra ou a favor. Porém, o caso seria diferente se o princípio do Akasha, em sua forma mais elevada — que podemos chamar de Providência Divina —, de um modo ou de outro advertisse o mago de prováveis perigos, sem que ele tivesse o propósito de ver ou de saber algo. A uma advertência desse tipo deve-se, sem dúvida, dar atenção, senão ela poderia ser uma fonte de prejuízos ao mago.
Nesse estágio, o mago já conseguirá avaliar por si mesmo se a advertência provém de um ser de algum plano ou diretamente do princípio do Akasha. Para as pessoas não instruídas e aquelas pelas quais o mago tem um interesse especial em pesquisar o passado, o presente e o futuro, o espelho mágico naturalmente presta um grande serviço. Todos os pensamentos, sensações, sentimentos e atitudes físicas deixam sinais precisos no Akasha, ou princípio primordial, de modo que o mago pode a qualquer momento ler esses sinais como num livro aberto, através de seu espelho mágico ou diretamente no estado de transe.
No início, enquanto o mago ainda não tiver a perícia necessária, as imagens aparecerão dispersas ou de forma isolada. Através da repetição constante, elas começarão a aparecer no contexto correto com o passado, surgindo aos olhos do mago na superfície do espelho como num panorama, tão claras e nítidas como se o próprio mago estivesse vivenciando esses acontecimentos. Partindo do presente, o mago poderá ver o desenrolar de todos os fatos de sua vida passada, voltando até a infância e, mais ainda, até o nascimento.
É aconselhável acompanhar o passado voltando-se só até o nascimento, apesar da existência da possibilidade de se pesquisar a vida do espírito da pessoa também nas encarnações anteriores. Mas devemos advertir o mago de que as previsões do futuro, assim como a pesquisa da sua própria vida passada ou a de outras pessoas, ferem as leis da Providência Divina, e de que essa curiosidade pode ter consequências graves. Primeiro, porque ele poderia envelhecer rapidamente em poucos instantes, tantos quantos fossem as vidas passadas por ele vislumbradas, o que lhe provocaria uma sensação interna muito desagradável e se revelaria, sob vários aspectos, extremamente negativa, sobretudo na falta de interesse pela sua vida restante. Segundo, porque o mago se sentiria responsável pelos erros cometidos em suas vidas passadas.
A única vantagem dele seria a de tomar consciência das experiências dessas vidas passadas, o que de modo algum compensaria as desvantagens. Caso o mago, por algum motivo justo, queira descobrir o futuro de outra pessoa, ele só precisará transpor-se ao estado de transe. Se estiver bem familiarizado com essa prática, nada lhe permanecerá oculto. Esse tipo de clarividência, em que o mago consegue ver num contexto preciso os planos mental, astral e material denso dele mesmo e dos outros, já é o máximo que se consegue obter com o espelho mágico. Se o mago já chegou a esse ponto, então não terei mais nada de novo a dizer em relação ao espelho mágico; com os exemplos apresentados, ele poderá criar suas próprias práticas no futuro.