Clarividência Com Espelho Mágico

Existem dois tipos de espelhos mágicos: os óticos, feitos de vidro plano ou côncavo, pintados de amálgama de prata ou verniz preto em uma das faces. No espelho côncavo, a face pintada é a externa — portanto, convexa — e a parte interna, côncava, é limpa e brilhante. Dos espelhos óticos fazem parte as bolas de cristal, espelhos planos ou ocos de metal cuja superfície foi pintada com um líquido colorido ou preto. Até mesmo a superfície de uma água parada pode servir de espelho ótico. O segundo tipo são aqueles preparados com condensadores fluídicos.

Mas o mago precisa saber, sobretudo, que o espelho por si só não garante o sucesso da magia, mas deve ser conjugado às capacidades astrais e mentais desenvolvidas nos exercícios anteriores. O mago deverá encarar qualquer tipo de espelho mágico só como um meio auxiliar, isto é, uma ferramenta. Com isso, não queremos dizer que o mago também não possa trabalhar sem os espelhos, mas ele sempre vai querer usá-los, pois as suas possibilidades são infinitas. Um mago que assimilou com sucesso todas as práticas deste curso evitará sentar-se simplesmente diante de um espelho mágico e cansar o seu nervo ótico através da fixação do olhar. Ele trabalhará de outro modo, magicamente mais correto.

Antes de descrever as práticas com os espelhos mágicos em detalhes, apresentarei alguns exemplos em que eles prestaram bons serviços:

Em todos os trabalhos de imaginação que exigem exercícios óticos.
Em todos os carregamentos de energias, de fluidos, etc.
Como portal de passagem a todos os planos.
Como meio de ligação com pessoas vivas e falecidas.
Como meio auxiliar de contato com energias, entidades, etc.
Como irradiador em impregnações de ambientes, tratamento de doentes, etc.
Como meio de influência em si mesmo ou em outras pessoas.
Como emissor e receptor mágico.
Como instrumento de proteção contra influências prejudiciais e indesejadas.
Como instrumento de projeção de todas as energias e imagens desejadas.
Como instrumento de visão à distância.
Como meio auxiliar de pesquisa do presente, do passado e do futuro.

Como o espelho mágico é um meio universal, não podemos enumerar aqui todas as suas possibilidades. Com essas doze opções em mãos, o próprio mago poderá criar várias outras práticas do mesmo tipo.

Sente-se na sua asana habitual diante do seu espelho mágico, a uma distância de um a dois metros dele. Nesse exercício, a luminosidade ambiental não é importante. Então, passe ao exercício imaginando inicialmente uma série de objetos na superfície do espelho, objetos que você deverá ver com tanta clareza e nitidez como se existissem de fato. Como, nesse meio tempo, você já se tornou mestre na imaginação, esse exercício preliminar não lhe apresentará maiores dificuldades. Fixe essa imaginação dos objetos durante alguns minutos e, depois, solte-as, igualmente através da imaginação. Se você tiver dificuldades com a imaginação de objetos, então imagine cores. Como já observamos antes, a capacidade de imaginação ótica é análoga ao princípio do fogo; e aqueles magos que dominam bem o elemento fogo também conseguirão bons resultados com a magia dos espelhos.

Depois da imaginação de objetos, pratique a imaginação de animais diversos; depois, a de pessoas — inicialmente, as feições de pessoas conhecidas, de amigos, e, mais tarde, de pessoas e raças desconhecidas. Em seguida, estenda seu trabalho de imaginação a todo o corpo. Ao conseguir imaginar uma pessoa conhecida ou estranha, homem ou mulher, na superfície do espelho, passe para a imaginação de casas, regiões, localidades, etc., até dominar totalmente essa técnica. Só então você estará preparado, magicamente, para praticar a verdadeira magia dos espelhos.

Esse exercício preliminar é muito importante, pois a visão mental, astral e material só se habituará a captar a dimensão e a clareza das imagens através dos exercícios de imaginação. De outra forma, só veríamos imagens desfocadas. Mas, nesses exercícios, não devemos permitir, de jeito nenhum, que surjam imagens autônomas no espelho — o que poderia ocorrer com pessoas predispostas à mediunidade. Por isso, devemos afastar energicamente todas essas imagens que surgem por si só na superfície dos espelhos, por mais belas e fantásticas que sejam, pois tudo o que vemos sem querer não passam de alucinações ou reflexos de pensamentos do subconsciente que costumam aparecer para iludir o mago e atrapalhar o seu trabalho. Nesse exercício preliminar, perceberemos que o trabalho de imaginação torna-se mais fácil quanto maior for o espelho.

Carregamento do Espelho Mágico

A tarefa seguinte do mago é familiarizar-se com o carregamento dos espelhos. Em qualquer superfície do espelho, ele deverá conseguir encantar e represar, através da imaginação, a energia desejada — extraída de si mesmo ou diretamente do Universo — e depois dissolvê-la novamente na sua fonte original. Os carregamentos a serem feitos são os seguintes:

Com os quatro elementos em sequência.
Com o Akasha.
Com a luz.
Com o fluido elétrico.
Com o fluido magnético.

Ao obter uma certa prática no carregamento de espelhos através desses exercícios, o mago estará maduro para outras experiências com espelhos mágicos, que apresentarei a seguir, com alguns exemplos a seus métodos correspondentes.