Condensadores Fluídicos

Qualquer objeto pode ser influenciado através da imaginação e da vontade, e carregado com qualquer fluido — elétrico ou magnético — com os elementos ou com o Akasha. Mas, segundo as leis da analogia e as experiências realizadas, ficou demonstrado que nem todos os objetos nem todos os líquidos são adequados para manter ou acumular por muito tempo uma energia represada. Assim como a eletricidade, o magnetismo e o calor possuem bons ou maus condutores, também as energias superiores têm essa característica. Os bons condutores têm uma enorme capacidade de acumulação, pois conseguem armazenar as energias neles introduzidas e preservá-las dentro de si. Esses acumuladores são chamados, na ciência hermética, de "CONDENSADORES FLUÍDICOS".

Existem três grupos principais de condensadores fluídicos: 1. Sólidos, 2. Líquidos e 3. Aéreos. No grupo principal dos condensadores fluídicos sólidos incluem-se as resinas e os metais, entre os quais o ouro é aquele que possui o valor mais elevado. Pequenos fragmentos, pedacinhos mínimos até de ouro dão a qualquer líquido uma capacidade extraordinária de condensação; é por isso que se costuma adicionar ouro em porções microscópicas a todos os condensadores fluídicos. Falaremos sobre isso mais tarde.

No segundo grupo, incluem-se as lacas, óleos, tinturas e extratos feitos de resina, compostos e produzidos a partir de determinadas plantas. Como o ouro, que é considerado o mais nobre dentre os corpos sólidos por ser análogo ao sol — portanto, correspondente à energia solar e luminosa — o ouro dos corpos líquidos é o sangue humano e o sêmen, ou esperma. Com isso, o ouro pode ser totalmente substituído, pois resquícios mínimos de sangue e de esperma num líquido dão a este uma capacidade extraordinária de acumulação. O terceiro grupo é composto pelos defumadores, aromas, água de cheiro, enfim, todos os vapores; não entrarei em maiores detalhes sobre eles, pois não têm muita importância para a magia prática.

Além disso, só poderei mesmo descrever aqui os condensadores fluídicos mais importantes para a prática da magia pois, se eu quisesse enumerar todos os tipos de condensadores, o seu processo de fabricação e possibilidades de utilização — e ainda considerar todas as pedras preciosas e semipreciosas que são ótimos condensadores — só esse estudo já se transformaria num livro inteiro. Existem dois tipos de preparação de condensadores fluídicos: os simples, ou universais, preparados a partir de uma substância ou planta, e que podem ser usados para quase tudo. Os do segundo tipo são compostos, preparados a partir de várias substâncias e plantas, e possuem capacidades de acumulação excepcionalmente fortes.

Como se costuma acrescentar uma quantidade ínfima de ouro a cada condensador fluídico, o mago deverá providenciar esse metal antes de prepará-lo. Em lojas especiais de equipamento fotográfico, podemos comprar o assim chamado cloreto de ouro solúvel em água, ou Aurum chloratum, usado para tingir papéis fotográficos. Uma solução de um grama desse cloreto em 20 gramas de água destilada nos dá uma maravilhosa tintura de ouro. São suficientes cerca de 5 a 10 gotas dessa tintura de ouro para cada 100 gramas de condensador fluídico líquido.

Aqueles que conhecem bem o trabalho de laboratório podem fazer sozinhos essa tintura de ouro através da eletrólise. Em farmácias homeopáticas ou onde são preparados remédios homeopáticos ou eletrohomeopáticos, será fácil encontrar ou mandar preparar essa tintura. Os remédios homeopáticos à base de ouro são geralmente diluições do cloreto de ouro ou tinturas preparadas através da eletrólise como, por exemplo, Aurum Chloratum D1-D3, Aurum muriaticum D1-D3 ou Aurum metallicum D1-D3. O conhecedor de remédios homeopáticos sabe que o D maiúsculo significa potência decimal.

Caso você não tenha possibilidade de arranjar a tintura de ouro através dos caminhos apresentados, então não lhe resta outra alternativa senão prepará-la você mesmo, seguindo a velha receita dos alquimistas, que é muito simples. Pegue um pedacinho de ouro da melhor qualidade — não pode ser ouro novo; quanto maior o número de quilates, tanto melhor. O ouro comum de 14 quilates também serve. A forma do ouro não importa: pode ser um bracelete, um anel, um broche, um colar ou a tampa de um relógio de pulso. Arranje um pouco de água destilada; em último caso, pode ser também um pouco de água da chuva. Coloque a água num recipiente de modo a completar dez vezes o peso do ouro; por exemplo, se você tiver 10 gramas de ouro, então coloque na vasilha 100 gramas de água destilada.

Aqueça o ouro numa chama até ele ficar incandescente, com a cor vermelha, e jogue-o então na água. Devemos tomar cuidado para que o cordão ou o gancho no qual o objeto de ouro estiver preso não toque a água. O ideal é usar um gancho de arame, no qual o ouro poderá ficar suspenso sobre a água. Com o resfriamento rápido, a água chia e espirra, e devemos ter cuidado para que essa água quente não nos atinja, provocando queimaduras. Tenha cuidado principalmente com os olhos! Na água destilada só deve ser mergulhado o ouro puro. Ambos, tanto a água quanto o ouro, devem ser deixados para esfriar. Esse procedimento todo deverá ser repetido de 7 a 10 vezes. Sete a dez resfriamentos serão suficientes pois, durante o processo, sempre há uma evaporação de pequenas quantidades de água e até quantidades maiores quando trabalhamos com doses pequenas. Através do rápido resfriamento — oxidação — libertam-se pequenas partículas atômicas, e a água fica saturada de ouro.

Os antigos alquimistas chamavam essa água saturada, ou qualquer outra essência vegetal mergulhada pelo ouro incandescente, de "Quintessência do ouro pela via quente", e utilizavam-na como ingrediente para outras substâncias curativas alquímicas. Porém, nós a usaremos para nossos condensadores fluídicos. O líquido saturado pelo ouro deverá ser filtrado através de um pedacinho de linho fino, papel de filtro ou algodão em um funil, e guardado para as nossas experiências. Dessa tintura de ouro, usaremos geralmente só de 5 a 10 gotas em cerca de 100 gramas de líquido condensador fluídico. A peça de ouro usada na preparação da tintura que acabamos de descrever deverá ser limpa com um produto especial para metais e guardada para ser usada novamente no futuro.