Visite seus conhecidos e amigos para ver o que estão fazendo naquele momento. Veremos, por exemplo, uma pessoa realizar suas tarefas diárias; para isso, poderemos inicialmente usar a força de nossa imaginação. Para saber se aquele ato imaginado corresponde à realidade — i. e., se a nossa imaginação e a realidade são iguais — só precisamos imaginar que aquela pessoa que captamos em nosso corpo mental está fazendo alguma coisa diferente, eventualmente até o oposto do que imaginamos a princípio. Conseguindo isso, devemos tentar saber se o ser que captamos o contradiz; em caso positivo, podemos afirmar com certeza que um ou outro não são verdadeiros, mas ainda correspondem só ao imaginário. Então não teremos alcançado o nosso objetivo e deveremos repetir os exercícios até conseguirmos diferenciar exatamente a realidade da imaginação.
No começo, nós só sentiremos que a imaginação corresponde de fato à realidade, pois os sentidos foram desligados do corpo com força e transpostos ao corpo mental. Mais tarde não precisaremos mais temer que isso ocorra, pois já teremos a certeza absoluta e poderemos diferenciar com precisão se aquilo que vimos, ouvimos ou sentimos no corpo mental é real ou imaginário. Depois de muito treino, essa habilidade torna-se corriqueira para qualquer mago e, em qualquer lugar para onde ele transpuser o seu corpo mental, ele só captará o que corresponder totalmente às condições pertinentes.
Ao realizarmos progressos — como quando andamos normalmente em caminhos extensos sem sentirmos cansaço — então estaremos maduros para nos ocuparmos com a lei da ausência de tempo e de espaço. Desligue-se do seu corpo material denso da forma que acabamos de descrever e imagine-se desligado também do tempo e do espaço. Pense que seu corpo mental poderá estar naquele mesmo instante em qualquer lugar que você desejar. Essa convicção profunda poderá ser alcançada através da meditação constante no corpo mental. Caso você deseje estar em algum lugar com o seu corpo mental, será suficiente imaginar que você já está lá e isso acontecerá imediatamente.
Em distâncias maiores, você só conseguirá um sucesso satisfatório depois de muito treino, muita perseverança e transposições frequentes. Além disso, você deverá escolher lugares conhecidos. Só depois que você tiver a certeza de conseguir captar tudo com os seus sentidos — em qualquer lugar em que seu corpo mental estiver, a qualquer distância e hora do dia — então você poderá começar a escolher lugares desconhecidos. As captações dos sentidos no local não lhe deixarão margem de dúvida de que aquilo que você viu, ouviu e sentiu corresponde de fato à realidade. Você terá que exercitar-se por muito tempo e com muito empenho para se acostumar com as impressões desconhecidas. Procure, portanto, com o seu corpo mental, regiões tropicais, costas marítimas, cidades grandes, transponha-se ao extremo sul e ao extremo norte — enfim, a todos os lugares que o atraem e que o seu coração pede para ver.
Depois de exercitar-se bastante, você conseguirá transpor-se rotineiramente a todos os lugares nos quais você poderá ver, ouvir e sentir tudo. A viagem mental não serve somente para que captemos o que ocorre no presente naqueles lugares para os quais nos transpomos, mas também para que possamos agir naquele momento. Assim, podemos, por exemplo, não só ver as doenças com nossos olhos mentais, mas temos também a possibilidade de tratar dessas doenças no local com o nosso corpo mental ou então usar outros tipos de influências benéficas. Todas as ações e trabalhos na esfera mental que aprendemos a realizar anteriormente com a ajuda de um elementar podem ser realizados por nós mesmos através de nosso corpo mental. E quando, finalmente, você se sentir em casa no mundo físico inteiro através da viagem mental e esse mundo não puder mais lhe mostrar nada de novo, então experimente procurar outras esferas através de seu corpo mental; tente entrar em contato com os seres desses outros mundos e obter aqueles conhecimentos de cuja existência o ser humano mediano nem mesmo suspeita.
A ascensão a outras esferas é muito simples. Precisamos somente sintonizar-nos com a esfera que queremos visitar com o nosso corpo mental e, então, nos deixarmos levar para cima e verticalmente, como que sugados por um redemoinho através de um funil. A passagem de nosso mundo material denso a uma outra esfera ocorre muito rapidamente, como se voássemos sobre o mundo todo num único segundo. Nesse caso, o mago deverá passar pela sua própria experiência e, por isso, é melhor não entrar em maiores detalhes sobre esse assunto. Durante os exercícios de viagem mental, o mago poderá sentir, no início, uma sonolência quase incontrolável, contra a qual ele deverá se defender energicamente. A sonolência ocorre porque, com o desligamento do corpo mental, o cordão de ligação — i. e., o cordão vital entre os corpos mental e astral — torna-se mais frouxo, o que provoca uma transposição de consciência e a consequente sonolência. Com o treinamento constante, quando o desligamento do corpo mental se tornar um hábito, a sonolência acabará. O domínio da viagem mental aqui descrito é uma preparação indispensável para o envio do corpo astral, cuja descrição e aplicação prática serão apresentadas a seguir, no capítulo "Instrução Mágica da Alma".