Viagem Mental em Ambientes Fechados

Tente olhar para o seu corpo como se ele não lhe pertencesse. Tente também repetir várias vezes esse estado de consciência do desligamento, assim como sentir-se em pé ao lado do próprio corpo; para isso, a primeira tarefa é a observação precisa do corpo. Experimente ver todos os detalhes de seu corpo — como, por exemplo, a expressão de seu rosto com os olhos fechados, a respiração tranquila e regular, a roupa, a cadeira em que você está sentado, etc. Como já dissemos antes, no início tudo depende da força de sua imaginação; mais tarde, você não precisará mais imaginar tudo isso.

Quando, depois de repetir várias vezes o exercício, você tiver certeza de estar totalmente consciente ao lado de seu próprio corpo e observá-lo, tente dar atenção à percepção de seu entorno mais amplo. Também nesse caso a imaginação lhe será muito útil. Depois do exercício, volte sempre para o seu corpo, como se você entrasse novamente no invólucro, desperte e verifique se tudo aquilo que você imaginou corresponde à realidade. Você deverá alcançar tanta desenvoltura em sua imaginação que o seu espírito imaginado deverá assimilar todos os objetos do ambiente com a exatidão e a nitidez dos objetos que você vê com os seus olhos físicos.

Se, depois de exercitar-se bastante, você conseguir isso, poderá dar mais um passo no aprendizado. Transponha-se à lateral de seu corpo, mas não permaneça no mesmo lugar; tente andar de um lado a outro da sala como se você estivesse desligado do seu corpo físico. A leveza e a percepção da ausência de tempo e espaço contribuirão para que você se movimente a passos bem mais largos do que aqueles aos quais o seu corpo físico está habituado normalmente, mas isso deve ser evitado no início para que se alcance uma separação bem clara do corpo mental. O importante é você sempre se ver como se estivesse amarrado à terra. Só mais tarde, depois de muito treinamento, é que poderemos usar as leis da esfera mental.

Ao conseguirmos andar de um lado a outro da sala, devemos abrir a porta como se estivéssemos no corpo físico e tentar sair da sala, passo a passo. Primeiro, entraremos só na sala ao lado ou no corredor, onde repetiremos a técnica da imaginação dos objetos, identificando-os depois com os objetos reais assim que voltarmos ao corpo material. Com a certeza de que podemos nos movimentar em nosso corpo mental e captar as coisas da mesma forma que em nosso corpo físico, estaremos prontos para seguir adiante. A prática cria o mestre, e o segredo da viagem mental reside só no treinamento.

Devo voltar sempre a enfatizar a importância desses exercícios, pois eles são um estágio preparatório para a separação astral do corpo, conhecida como êxtase — em que não é só o espírito que se separa do corpo, mas o espírito em conjunto com a alma; esse assunto será explicado em detalhes ainda nesse capítulo.