A Prática da Viagem Mental

O aluno deverá evitar arriscar-se nesse exercício sem a cuidadosa preparação anterior acima referida; pois, através da libertação da consciência do corpo físico, poderão surgir perturbações na consciência em pessoas mais fracas. Por isso essa advertência é necessária, e só aqueles alunos que podem afirmar, com a consciência tranquila, que já dominam totalmente as etapas anteriores, é que poderão iniciar todos os exercícios subsequentes sem medo de sofrer algum dano à saúde ou à mente.

Para o exercício da viagem mental em si, não precisaremos mais do espelho material, pois agora trabalharemos do seguinte modo: assuma sua posição (asana) habitual e concentre-se em seu espírito. Imagine que ele vê, ouve e percebe tudo, e que — totalmente independente do tempo e do espaço — pode movimentar-se tão livremente como se estivesse ligado ao corpo material. Devemos proceder desse modo antes de qualquer viagem mental. Quanto mais profunda for a sua meditação e quanto mais você tiver a sensação e a certeza de que o seu espírito está totalmente desvinculado e pode sair de seu corpo livremente de acordo com a sua vontade, tanto mais rápidos e melhores serão seus progressos na arte da viagem mental.

Caso você obtenha, nessa meditação que consumirá apenas alguns minutos de sua atenção, a sensação interna de liberdade e desligamento, então imagine-se saindo de seu corpo como se ele fosse uma casca, que depois será colocada ao seu lado. Você terá de transpor-se ao espírito com a sua consciência, de tal forma a sentir-se materialmente ao lado de seu corpo, como se você deslizasse para fora de um roupão ou de um outro invólucro qualquer. Exatamente desse modo é que deve ser o procedimento com a ajuda da imaginação. Afinal, a imaginação do seu próprio espírito na forma e tamanho de seu corpo já foi treinada exaustivamente diante da sua imagem refletida no espelho.