Vitalização Mágica de Imagens

Nos quatro métodos de geração de elementares, incluímos a vitalização mágica de imagens. De todos os cantos ouvem-se histórias de que imagens — principalmente em locais de culto onde há imagens de santos, estátuas, etc. — irradiam uma enorme energia mágica e chegam a realizar milagres no corpo, na alma e no espírito quando são venerados e invocados através de orações. A paz sagrada, a tranquilidade e o misticismo religioso que os visitantes de igrejas e de locais de peregrinação sentem é algo que todos conhecem; por isso, não preciso entrar em detalhes sobre isso. Até mesmo as curas milagrosas em lugares sagrados — que em parte até foram comprovadas cientificamente, mas que no geral permanecem inexplicadas — podem ser atribuídas à vitalização de imagens e estátuas. A atmosfera excepcional que circunda esses objetos provoca a sua irradiação, criada pela atenção e pela oração de milhares de devotos e fiéis. Esse tipo de vitalização de imagens santas e estátuas é totalmente inconsciente. Mas, do ponto de vista mágico, existe também uma vitalização consciente das imagens.

A vitalização mágica consciente de imagens pertence aos métodos de geração de elementares, quer se tratem de imagens comuns ou sagradas. A síntese é e continua sendo a mesma; o que muda é só a irradiação e o objetivo. Mas, sobretudo, devemos saber que não se deve vitalizar imagens cujo original ainda vive. Através da ligação simpática ao seu corpo, à sua alma e ao seu espírito, poderíamos provocar eventuais danos ao ser em questão se criarmos um ser igual, ligado ao original através de um cordão secreto e invisível de simpatia. Também não devem ser vitalizadas aquelas imagens que possam estimular atos impuros, como assédios sexuais, etc. Nesses casos, através da vitalização de uma imagem desse tipo, o mago corre o perigo de evocar um elementar que poderá tornar-se um vampiro, um íncubo ou um súcubo. Desse modo, também não devemos gerar um elementar que sirva para a satisfação dessas paixões.

Essas precauções devem ser tomadas rigorosamente por todos aqueles que pretendem se dedicar à vitalização de imagens, cuja prática passo a descrever: caso você escolha um quadro a óleo para a sua vitalização, não haverá necessidade de um condensador fluídico, apesar de ele contribuir para o fortalecimento e a aceleração do processo de geração do elementar. Corte um pedaço de mata-borrão ou de papel-cartão no tamanho do quadro emoldurado, molhe-o no condensador fluídico e deixe-o secar bem. Assim que esse pequeno meio auxiliar estiver pronto, abra a parte de trás do quadro e coloque o papel com o condensador já seco diretamente sobre a parte posterior do quadro, sem considerar se a pintura foi feita em tela, seda, papel ou outro material. Prenda sobre ele um pedaço de papel normal com tachinhas ou fita adesiva. Se você quiser fortalecer a parte posterior da moldura, use papel-cartão normal para que não entre poeira. Desse modo, o quadro estará pronto para a vitalização. Podemos deixá-lo pendurado na parede ou então colocá-lo à nossa frente, sobre a mesa.

Com a imaginação, crie então o corpo mental, que corresponde exatamente ao quadro escolhido em sua forma e tamanho. Se esse quadro que estiver à sua frente reproduzir só parte do tema todo, então você terá de completar o resto mentalmente. Caso você possua um quadro que seja menor que o tamanho normal exigido — por exemplo, uma pequena fotografia — então você terá de levar em conta essa condição ao trabalhar com ele. O resto do processo é o mesmo apresentado no capítulo sobre o segundo método de geração de elementares, em que é empregada uma figura de cera ou de argila. Caso você tenha introduzido no quadro, imaginativamente, a ideia do corpo mental, transponha-lhe então as respectivas características do espírito, que são: vontade, intelecto, sentimento e consciência. Depois disso, imagine o invólucro do corpo mental, algo que você poderá fazer também com a ajuda da imaginação. Nesse invólucro, você deverá concentrar as capacidades, o campo de ação, etc.; tudo aquilo, enfim, que lhe parecer que vale a pena desejar.

Caso se trate de um elementar que será usado para outras pessoas, então você não deverá fazer a projeção dos elementos através do seu próprio corpo, mas retirar o elemento em questão diretamente do Universo. Quando se tratar de um quadro que você pretenda vitalizar para si mesmo, então será conveniente efetuar a projeção dos elementos através do próprio corpo. Isso vale para um único elemento, mas você poderá também transpor todos os quatro elementos e até mesmo o princípio do Akasha para o seu quadro. Caso queira trabalhar com todos os elementos, então deverá proceder, nesse tipo de projeção, do mesmo modo que na criação de uma pessoa completa. Depois de projetar os elementos para dentro do seu corpo astral e conferir ao quadro uma certa densidade, chame-o à vida. O método de evocação à vida é o mesmo prescrito no método 2 para a figura de cera-argila. A forma de dissolução também pode ser a mesma, pressupondo-se que você não tenha preparado um outro método individual de sua preferência.

O mago fará bem em não deixar o elementar no quadro, mas guardá-lo na parede por trás do quadro, repetindo muitas vezes o processo já descrito. Depois de vitalizar o quadro, o mago poderá deixar o elementar sair dele e usá-lo do modo apresentado anteriormente. Mas, se o mago deixá-lo no quadro, então o elementar poderá adensar-se tanto que se tornará perceptível até pelos não iniciados. Devemos evitar a divulgação destas práticas; é melhor sempre guardá-las em segredo para que não caiam nas mãos de magos negros ou feiticeiros. Da mesma forma podem ser vitalizadas estátuas, bustos, etc., só que então o condensador fluídico deverá ser introduzido no busto de alguma maneira; se isso não for possível, podemos esfregá-lo exteriormente e depois deixá-lo secar.

Valendo-me de alguns exemplos, apresentei aqui um capítulo muito importante da magia prática, que poderá servir de base para outros métodos que o mago queira desenvolver posteriormente. Achei conveniente apresentar só esses quatro métodos, cuja utilização com certeza é muito clara para todo mundo. Mas devo dizer de antemão que o aluno que não passou por todas as etapas trabalhando conscienciosamente nunca conseguirá gerar um ser elementar autêntico, i. e., completo sob todos os aspectos.