Antes de explicar a prática desse terceiro método, eu gostaria de observar que ele é pouco conhecido e é empregado somente por alguns iniciados do Oriente. Portanto, se um mago resolver adotá-lo, ele deverá naturalmente considerar de antemão tudo aquilo que eu descrevi até agora sobre a criação de elementares. Ele deverá, sobretudo, elaborar um plano de trabalho e refletir muito sobre o objetivo da criação do elementar, i. e., pensar bastante sobre a sua missão e ter em mente uma imagem muito clara dela. Além disso, ele deverá considerar a forma que pretende escolher, em função da sua intenção de criar um ser feminino ou masculino, ou até duplo. Ele deverá também escolher imediatamente o seu nome e anotá-lo. Não deverá esquecer-se da determinação do tempo de vida do elementar, fixando com exatidão o dia e a hora do seu término.
Caso se trate de um elementar para uso próprio, o mago deverá fazer o carregamento através da projeção de seu próprio corpo; e se o elementar for destinado a outra pessoa, então essa projeção deverá ser feita diretamente do Universo. Depois, ele deverá determinar como pretende chamar o elementar — se através de um ritual, uma fórmula, um gesto ou outro método qualquer — e ao quê ele pretende conectá-lo — se a um boneco (figura) ou a algum objeto, um talismã ou um pentáculo. O local em que o elementar será guardado também deve ser escolhido previamente, para que esse ser não entre em contato com pessoas estranhas. Depois de pensar muito bem em todos esses detalhes e anotá-los num papel, para ter uma visão geral de todo o seu plano de trabalho, o mago poderá passar à prática.
Nesse terceiro método, eu descrevo um elementar gerado a partir do elemento fogo, e que o mago usará para seus próprios objetivos. Desenhe um círculo num pedaço de papel e dois quadrados sobrepostos no meio dele, obtendo assim um octaedro regular. Esse octaedro representa o símbolo dos quatro elementos em seus efeitos positivos e negativos. O próprio círculo representa o princípio abrangente de Akasha; dos dois quadrados sobrepostos se formaram os quatro elementos. No meio do octaedro, você deverá desenhar um sinal qualquer, que será o símbolo do elementar. O papel utilizado para o desenho deverá ser tão grande a ponto de o elementar gerado poder ficar livre no interior do octaedro, portanto, sobre o sinal. Esse mesmo desenho, com um diâmetro de no máximo um centímetro, deverá ser gravado num objeto redondo bem pequeno, de preferência num pratinho de cobre, prata ou ouro — ou um outro metal qualquer. Em último caso, seria suficiente um pedaço de madeira. O melhor seria gravar o desenho com um instrumento pontudo num pedaço de metal plano, principalmente quando se tratar de um elementar de vida mais longa.
Os lamas do Tibete que trabalham com isso chamam o desenho grande de "Grande Kylichor", e a gravação pequena de "Pequeno Kylichor", que, em caso de necessidade, eles carregam escondida junto de si. No Tibete, o Grande Kylichor não é desenhado no papel como no caso aqui apresentado; ele é montado com pedras recolhidas no campo, num local isolado, inacessível às pessoas. A construção do Grande Kylichor passa a ter então um diâmetro de cerca de 3 a 4 metros. Mas, para os nossos objetivos, basta desenharmos o Grande Kylichor num papel, usando tinta, guache ou qualquer outro líquido que não apague facilmente.
Concluídos os preparativos, podemos começar com a criação propriamente dita do elementar. Sente-se confortavelmente na sua asana habitual, desdobre o papel desenhado à sua frente e coloque o pequeno Kylichor exatamente no meio do grande. Tão logo você tenha largado o pequeno Kylichor de sua mão, pronuncie o nome escolhido para o elementar. O pequeno Kylichor passa a lhe servir como ponto de partida e de apoio da projeção dos elementos. Inspire o elemento fogo através da respiração pulmonar e dos poros para dentro de seu corpo, impregnando-o com o seu desejo ou então fazendo isso só depois, quando ele for projetado para fora, vitalizado pela imaginação. Para obter resultados mais rápidos, podemos empregar ambos os métodos. Agora, projete o elemento fogo para fora de seu corpo através de um dos pontos de saída de seu corpo astral e represe-o de tal forma que todo o conteúdo de seu corpo seja comprimido até se transformar numa pequena centelha. Essa pequena centelha de fogo, ou esse elemento fogo comprimido, deverá ser encantado para a superfície do pequeno Kylichor através da sua vontade ou da sua imaginação.
Repita essa experiência pelo menos sete vezes; represe e concentre o elemento na superfície do seu pequeno Kylichor, vá acrescentando uma centelha a mais a cada repetição para que ela vá aumentando. Depois de sete repetições, a centelha terá alcançado o tamanho de uma pequena chama, semelhante à chama de uma vela acesa. Se o exercício for muito extenuante, você poderá transpor a chama, com a ajuda do método de transposição e armazenamento, àquele local que você escolheu previamente para guardar o seu elementar. Ela poderá ser guardada numa parede ou em qualquer outro lugar de acesso restrito. Tire, então, o pequeno Kylichor do grande, guarde-o bem ou, se você achar mais conveniente, leve-o consigo. O Grande Kylichor também deverá ser dobrado e guardado. Assim chegamos ao final do primeiro trabalho.
Nas próximas vezes, bastará abrir o Grande Kylichor à sua frente, colocar o pequeno no meio e chamar o ser pelo nome; com isso, a chama na superfície do seu pequeno Kylichor logo surgirá. Repita o processo de projeção com o elemento fogo e vá aumentando o tamanho da chamazinha a cada represamento. Depois de represar uma chama através desse método, fazendo com que ela atinja o tamanho e a altura do elementar desejado, você poderá transformar a chama imaginativamente na forma desejada; assim, a criação do seu elementar estará concluída.
Para obter uma intensidade maior do elementar, você poderá carregá-lo por mais tempo com o elemento fogo; quanto mais você repetir a operação, tanto maior será a força de ação de seu elementar. O processo é o mesmo descrito nos dois métodos anteriores: o carregamento deverá ser feito sempre no Grande Kylichor, e a chamada poderá ser feita empregando-se o ritual correspondente ou pegando-se o pequeno Kylichor e transmitindo-lhe a ordem desejada. Esse método é usado no Tibete, e esses elementares chamam-se Yidams. A destruição de um Yidam ocorre de acordo com o processo indicado nos métodos 1 e 2, com a ajuda da imaginação, pressupondo-se que você não tenha determinado algum outro método montado e escolhido individualmente.
A utilização de um elementar desse tipo é tão diversificada que não tenho condições de apresentar aqui todas as suas possibilidades. Existem, por exemplo, Yidams gerados para o tratamento de doenças, para o transporte de objetos, para a transmissão de recados a discípulos e amigos, para proteger o mago e preveni-lo contra os perigos iminentes, para influenciar outras pessoas, etc., conforme a necessidade da pessoa que o gerou. O ideal é não dar muitas tarefas para o Yidam realizar, mas criar para ele um único tipo de capacidade e um único campo de ação. O seu tempo de vida deve ser bem delimitado, como já explicamos nos métodos anteriores. Fica a seu critério criar vários desses Yidams. Devemos observar ainda que, dessa mesma forma, poderão ser também criados Yidams com os outros elementos e até com os quatro elementos juntos; nesse último caso, o processo sofre uma pequena variação: devemos iniciá-lo com a terra, depois a água, o ar e, por último, o fogo.