Dominando a projeção dos elementos para fora — isto é, conseguindo projetar ou fazer sobressair cada elemento através do próprio corpo ou diretamente através do Universo — o mago poderá criar elementares para si e para os outros, e torná-los úteis. Surgirão seres que o servirão fielmente não só no plano mental, mas também no astral e no material-denso, respectivamente criados pelo mago de forma mental, astral e material — ou melhor, adensados. Já me referi aqui à criação consciente de formas-pensamento ou elementares. A diferença entre um elementar e um elemental é que este último é criado através da imaginação e da força de vontade do mago, em função de uma forma-pensamento consciente, e geralmente só age, para ele e para os outros, no plano mental ou do pensamento. Por outro lado, um elementar é bem mais estável e penetrante em sua ação, pois é criado a partir de um ou mais elementos.
Sobre o ato em si de criação ou de geração de um elementar, assim como o respectivo processo a ser utilizado pelo mago, falarei em seguida de forma bastante elucidativa e detalhada, inclusive citando exemplos. A intuição desenvolvida até agora, através das instruções apresentadas, será muito útil ao mago para que ele consiga elaborar práticas próprias, conforme o objetivo que deseja alcançar. Em função de sua evolução ética, com certeza ele jamais se atreverá a criar elementares para fins maléficos, pois o mundo invisível se vingará dele. Com o conhecimento do método de criação de elementares, o mago passa a ter uma chave poderosa em suas mãos, com a qual ele poderá alcançar tudo o que quiser no plano mental, astral e material-denso. Ele não deve esquecer que a responsabilidade pelas suas ações deve ser só sua, e não do elementar produzido.
Nas mãos do mago, os elementares são instrumentos obedientes, que seguem fielmente a sua vontade e satisfazem qualquer desejo, sem considerar se os propósitos são bons ou ruins. Assim como não podemos exigir que o marceneiro produza pãezinhos, não podemos exigir do elementar, criado para um fim bem determinado, que ele cumpra uma tarefa para a qual não foi gerado. Portanto, nunca devemos dar duas ou mais tarefas a um elementar, pois ele não executará nenhuma das duas com perfeição e confiabilidade. Além disso, devemos considerar a analogia dos elementos. Seria errado e contra as leis produzir um elementar que não estivesse em harmonia com a analogia dos elementos. Na fantasia do mago não precisa haver limites para a forma desses elementares; ele poderá escolher a forma que quiser e que sua intuição lhe apontar. Mas deverá evitar escolher a forma de seres vivos ou já falecidos que ele conhece ou conheceu um dia, ou com os quais esteve em contato. Isso porque ele poderia facilmente invadir o campo do corpo mental ou astral daquela pessoa e provocar-lhe graves danos. Além disso, haveria o perigo de esse elementar, em função de uma inteligência intrínseca, voltar-se contra o próprio mago e prejudicá-lo seriamente num momento imprevisto. O elementar poderia vampirizá-lo, induzi-lo indiretamente ao sono e outras coisas desagradáveis desse tipo. Essa advertência deve ser levada a sério pelo mago!
Além disso, tanto faz ao elementar o nome que lhe é dado. Aconselhamos dar-lhes nomes menos comuns, pois basta pronunciar o seu nome que ele já se aproxima do mago. Ao criarmos vários elementares, devemos anotar os seus nomes para não confundirmos ou esquecermos esse detalhe. De qualquer forma, não devemos revelar nada a ninguém sobre esses elementares, pois um outro mago poderia usá-los e manipulá-los facilmente. A força e o efeito de um elementar depende de seu carregamento. Quanto mais forte for a vontade do mago, tanto maior é a projeção dos elementos para o exterior, e um elementar carregado com tanta força tornar-se-á muito mais eficaz e penetrante. Um elementar pode ser adensado com tanta força que ficará visível até para os olhares menos instruídos. Um mago pode ordenar a esse elementar que trabalhe visível ou invisivelmente, conforme a sua necessidade.
O tempo de vida do elementar depende da função para a qual ele foi criado, o que deve ser determinado logo no início do ato da criação; pois, cumprida a tarefa, ele será dissolvido novamente em seu elemento original através da imaginação do mago. Esse processo de dissolução não deve ser esquecido porque, devido ao seu instinto de autopreservação, assim que termina o trabalho o elementar tende a se tornar independente, fugindo do campo de domínio do mago e se transformando facilmente num vampiro. O mago então teria de suportar todas as consequências cármicas acarretadas por um elementar desse tipo. Portanto, devemos ter muito cuidado e responsabilidade ao trabalharmos com esses seres. Muitos magos determinam, já durante o ato da criação, o tipo de dissolução a ser usada no elementar — como, por exemplo, queimar ou destruir o seu nome, ou usar algum tipo de ritual, sinal, gesto ou fórmula pré-elaborada. Tudo isso é válido, estritamente individual e fica a critério do mago escolher o que achar melhor. De qualquer forma, devemos dar muita importância ao processo de dissolução. Tendo os elementares em suas mãos, ele poderá obrigá-los a obedecer, a qualquer momento, ameaçando-os com a dissolução. Em todo o caso, ele deverá se convencer de que possui o poder absoluto de manter os elementares totalmente obedientes e dominados.
O mago verá que quanto mais fiel e lealmente o elementar lhe servir, tanto mais ele se apegará ao seu mestre, dissolvendo-se muito a contragosto. Mas o mago nunca deverá se deixar levar por esse sentimento, senão poderá tornar-se dependente desse ser. É conveniente dar ao elementar uma vida curta e, num caso de necessidade, criar outros elementares para o mesmo fim. Não queremos dizer com isso que se deva criar um novo elementar todas as semanas para o mesmo trabalho, mas é desaconselhável usar o mesmo elementar durante muitos anos para uma mesma situação. Os elementares que o mago pretende usar para seu próprio serviço poderão ser criados a partir da projeção dos elementos através de seu próprio corpo, e aqueles que vai usar em outras pessoas poderão ser criados pela projeção dos elementos extraídos diretamente do Universo. O mago sabe que entre ele e cada elementar existe uma ligação invisível que poderia ser prejudicada se ele criasse elementares através da projeção corporal para as outras pessoas também. Por que isso ocorre é algo que o próprio mago poderá explicar.
Falaremos agora sobre o local de permanência ou de armazenamento do elementar. No Oriente, os elementares (chamados de Yidams) são transferidos aos Kylichores ou guardados neles. Um Kylichor é um diagrama construído em pedra, correspondente a um Yidam específico, ao qual nenhum estranho tem acesso. O mago instruído não precisa de um local separado para esse fim; ele pode guardar o elementar num ponto qualquer de uma parede, pois sabe que esse ser não está ligado ao tempo e também não exige um local específico. Ele se sentirá tão bem numa parede quanto ao ar livre. Na parede ou num outro grande objeto sólido ele estará até melhor guardado, pois devemos evitar transferi-lo a locais de permanência de muitas pessoas. Se acontecer de uma pessoa tomar aquele mesmo lugar em que se encontra o elementar, ela sentirá uma certa intranquilidade, além de outras manifestações desagradáveis.
No ato de criação, deve-se determinar logo no início como será a chamada do elementar. Pode ser através do nome, pronunciado com um sussurro ou só em pensamento, ou então através de um movimento da mão, um gesto ou um ritual. Isso fica a critério do mago. Antes de descrever a parte prática, o ato em si da criação, devo observar que o mago não precisa se limitar a essa prática única. Ela é só uma pequena parte da magia prática e uma indicação do modo como se deve usar os poderes adquiridos. Ele não deve especializar-se só nela; ao contrário, depois de dominá-la completamente, deve explorar várias outras possibilidades que estão à sua disposição. Essa parte da magia só deve ser praticada no começo; depois caberá ao mago ajudar-se a si mesmo ou a outras pessoas, o que na verdade é o objetivo deste tema.
O ato da criação de um elementar segue quatro métodos básicos:
1. A projeção de um elemento numa forma pronta, que pode ser uma forma mental, astral ou material.
2. A projeção de vários elementos numa forma pronta, que também pode ser mental, astral ou material.
3. A projeção de um elemento sem forma direta, que será criada só através do elemento em questão.
4. A projeção de vários elementos, que só criam uma forma depois.
Explicarei esses quatro métodos através de exemplos práticos.