Sensitividade

O Desenvolvimento da Sensitividade Astral. Antes de passarmos ao desenvolvimento da sensitividade astral, consultaremos nosso diário mágico e voltaremos ao tempo em que nos ocupamos detalhadamente da introspecção das características boas e ruins. De acordo com o espelho mágico, podíamos saber quais as características relativas aos elementos predominantes em nós. A importância dessa introspecção derivava do fato de justamente essa predominância do respectivo elemento indicar nosso centro de percepção astral. Se o elemento predominante era o fogo, então o centro de percepção se localizava na cabeça, ou melhor, na testa; no caso do ar, esse centro era o coração, e no caso da água, o plexo solar. No caso da terra, o centro se localizava nas mãos ou nas coxas. Depois de enunciar nosso campo astral dessa forma, passemos à prática.

Proceda da mesma maneira que no desenvolvimento dos dois sentidos anteriores. Precisaremos novamente de um retalho de flanela, linho ou um chumaço de algodão embebido levemente num condensador fluido. Este último poderá ser novamente uma forte infusão de camomila. Nesse processo, carregue seu corpo com o elemento água, através da respiração pulmonar e pelos poros, com o desejo de que esse elemento provoque a sua sensitividade. Sob o termo sensitividade compreendemos a capacidade de sentir e perceber todos os fenômenos e forças que ocorrem no Akasha e nos elementos, inclusive a capacidade da psicometria — isto é, a percepção do passado, do presente e do futuro de qualquer objeto, carta, etc. Também pertence a essa classificação a capacidade da materialização de um pensamento, ou de um ser, sem considerar se é um ser criado por nós ou já existente no Akasha. Há outras capacidades ligadas à percepção e à sensação que podem ser incluídas na categoria da sensitividade; mesmo a intuição possui suas origens na sensitividade. Esses poucos exemplos devem ser suficientes para elucidar a capacidade sensitiva.

A prática em si é o que se segue: depois de represar o elemento água em todo o corpo, através da respiração pulmonar e pelos poros, carregue-o com a imaginação intensiva da capacidade sensitiva. Você deve ter certeza de que o elemento é suficientemente forte para despertar essa capacidade em seu corpo astral. Com ajuda da imaginação, extraia o elemento água do corpo através do plexo solar, da testa, mãos ou hálito, e represe-o no trapo de flanela ou chumaço de algodão embebido no condensador fluido. Você poderá repetir esse carregamento, mas não deverá fazê-lo por mais de 7 ou 9 vezes. Nesse exercício você não deverá assumir aquela sua posição costumeira, mas deitar-se confortavelmente num sofá ou no chão. A condição básica é ficar numa posição horizontal, só a cabeça deve ficar um pouco erguida. No desenvolvimento da sensitividade astral não é usado o elemento água diretamente, mas só a força de atração magnética da água.

O condensador fluido deve ser colocado no campo de percepção determinado antes do exercício, e este deve ser praticado, no início, só de olhos fechados. Imagine então que todo o seu corpo boia no elemento água universal, como se você se encontrasse no ponto central da superfície de um oceano infinito. A única coisa que você sente é água e mais água. Fique muito alerta, pois nesse exercício você poderá sentir muito sono. Apesar de todas as precauções, não é impossível que você até chegue a adormecer; se isso ocorrer, desperte e tente afastar o sono com todas as suas forças, pois se isso se tornar um hábito, dificilmente você conseguirá evitá-lo. Através da imaginação descrita, transponha-se com a consciência ao campo da percepção e pense que a capacidade magnética da água dentro de si vitalizará até as mais ínfimas porções desse campo e produzirá a sensitividade astral. Você deverá imaginar com tanta intensidade a força de atração da água que ela se tornará uma realidade indiscutível. Quando, através de uma longa meditação, você tiver a certeza de ter vitalizado satisfatoriamente o campo de percepção, então deixe a imaginação dessa água universal cair aos poucos, dissolva o elemento água de seu corpo no elemento universal, tire o condensador fluido e devolva o seu elemento concentrado ao elemento universal. Com isso o exercício estará terminado.

Quando você quiser usar esse campo de percepção na prática, basta transpor a sua consciência a ele e a capacidade é imediatamente ativada. Devemos lembrar ainda que seria conveniente exercitarmos diariamente o desenvolvimento dos sentidos astrais — a visão, a audição e a sensitividade — até que eles estejam totalmente dominados, mesmo que tenhamos pouco tempo disponível para isso. O êxito não tardará a chegar. Deixaremos de lado o desenvolvimento dos outros sentidos, pois eles não são tão importantes para a prática do mago. De qualquer maneira, fica a critério do aluno desenvolver esses outros sentidos a partir dos três exercícios apresentados. As capacidades obtidas através do desenvolvimento astral desses sentidos são tão abrangentes que não precisamos nem falar muito sobre isso. A alegria que se sente com o sucesso conquistado iguala-se à de um cego que durante anos não conseguia ver nada e de repente começa a enxergar tudo.