A diferença entre uma larva e um espectro é que uma larva, em função de um estímulo psíquico sempre repetido na esfera mental, assume inconscientemente uma forma condizente com o motivo, enquanto que o espectro possui uma forma determinada, surgida da fantasia da pessoa. Assim como no caso das larvas, os espectros também são fortalecidos, animados e adensados através de evocações repetidas da imagem, qualquer que seja ela.
Eles podem se tornar tão fortes que sua influência pode ser exercida não só no plano mental ou astral, mas também no plano material. A seguir descrevo dois exemplos disso:
1. O Complexo de Perseguição:
Existem pessoas que nascem com feições demoníacas ou sombrias sem ter noção de magia. Quando uma pessoa impressionável se depara com um tipo desses e sente antipatia, ou sofre um azar qualquer no mesmo dia, ela pode atribuir a causa a esse encontro. A imagem daquela pessoa torna-se cada vez mais nítida na mente da vítima, que passa a se sentir perseguida. Através da imaginação, a imagem adensa-se tanto que o tipo passa a aparecer em sonhos e até durante o dia. A vítima pode sofrer colapsos, desequilíbrio mental ou cometer suicídio. O espectro cumpriu sua missão. O "tipo sinistro" original nem imagina que foi usado como modelo para um ser destrutivo criado pela própria vítima.
2. O Espectro Erótico (Íncubos e Súcubos):
O nascimento de um espectro erótico ocorre a partir de um rosto, um corpo ou imagem que estimule o impulso sexual. Se a pessoa não pode satisfazer esse anseio, o espectro fortalece-se com a ansiedade. Ele surge nos sonhos provocando sensações amorosas e atiça o impulso sexual para realizar o ato. As poluções resultantes densificam o espectro, pois ele suga a energia vital (energia animal) contida no esperma. A vítima perde a força de vontade e o espectro conquista a supremacia, podendo levar a perversões ou ao suicídio por amores infelizes. Isso explica as ocorrências de íncubos e súcubos da Idade Média.
Munido desses exemplos, o mago poderá observar o modo de agir dos espectros, e poderá até criá-los; mas devemos adverti-lo de que corre o risco de ser influenciado e dominado por eles. O mago conhece o processo, mas não deve se deixar convencer a testar essa prática sozinho; deve sempre se lembrar da frase mágica: "O amor é a lei, mas deve ser consciente!"