Meditação Sobre o Próprio Espírito

Nesse grau nós estudaremos a meditação sobre o espírito. Na parte teórica deste livro eu já descrevi em detalhes o que é a esfera mental e o corpo mental, portanto o espírito. A missão desse grau é efetuar um retrato do próprio espírito com suas funções, relativamente aos quatro elementos, além de diferenciar essas funções entre si, o que pode ser realizado através de uma meditação especial.

As características do espírito relativas aos quatro elementos são as seguintes:

A vontade: subordinada ao princípio do fogo;
O intelecto: (com todos os seus aspectos paralelos, como a razão e a memória) subordinado ao princípio do ar;
A sensibilidade: com todos os seus aspectos, subordinada ao princípio da água;
A consciência: com todos os seus aspectos, como interligação dos três elementos, subordinada ao princípio da terra.

Mergulhe em seu íntimo, com seus pensamentos, observe a si mesmo e às funções do espírito, e medite sobre isso. Você deverá imaginar claramente cada uma das funções correspondentes aos elementos. Tente diferenciar as funções do espírito, i.e., criar uma imagem nítida delas, e depois siga adiante. Esse exercício preliminar é muito importante, pois com ele o mago terá condições de influenciar, dominar, fortalecer ou até desligar essas funções com os respectivos elementos na esfera mental, tanto em si mesmo quanto nos outros.

Outro exercício é conscientizar-se de todo o corpo mental no corpo astral e junto com este no corpo material denso, como se uma mão estivesse dentro de uma luva de seda e sobre esta houvesse outra luva mais grossa. A sua mão deverá sentir ambas as luvas. Da mesma forma deve ser sentido todo o corpo espiritual; você deverá sentir seu espírito no corpo astral sutil e este por seu lado no corpo material denso. Essa sensação é o espírito. Medite sobre isso em todas as ocasiões. Quando você tiver certeza de que o seu espírito impregna o corpo anímico e o corpo material denso, capta-os e movimenta-os, e que todas as ações são realizadas por ele através desses dois envoltórios, então você poderá prosseguir.

Todas as pessoas agem de forma consciente, meio consciente ou quase inconsciente, obedecendo a um impulso interior ou exterior, sem que elas percebam. O exercício seguinte as ensinará a agir de forma consciente, no início em pequenas coisas, depois nas maiores, e sempre tentando estender a duração de cada ação consciente. Com a expressão consciente não queremos dizer que estamos envolvidos na ação com o pensamento ou com toda a nossa atenção, mas com a imaginação e a sensação de que é o espírito que age, com a ajuda da alma e do corpo material denso. Por exemplo, ao caminhar na rua eu não devo ficar pensando que sou eu quem caminha, mas que é o meu espírito que o faz, movimentando meus pés astrais e materiais. A mesma coisa ocorre com os braços e as outras partes do corpo.

Você dominará totalmente esse exercício depois de conseguir isso por no mínimo dez minutos. Quanto mais tempo você aguentar, sem manifestações colaterais como tonturas, sensações de cansaço e de fraqueza, desequilíbrio, tanto melhor. Por isso o ideal é começarmos primeiro com pequenas ações de pouca duração e aumentá-las gradativamente até nos acostumarmos com essa sintonia e conseguirmos estendê-la sempre que quisermos. Esse exercício é muito importante pois ele possibilita ao aluno realizar uma ação tanto espiritual quanto astral em conexão com o corpo material, no caso dele trabalhar com a esfera mental ou astral, respectivamente. Uma ação desse tipo é chamada de ação mágica.

Agora com certeza o aluno entenderá por que os rituais mágicos realizados por não-iniciados e pessoas sem o conhecimento da magia não surtem efeito, pois elas não possuem a habilidade de realizar o ritual de forma mágica, por exemplo, não estão preparadas e sintonizadas a trabalhar de forma mental e astral em conexão com a matéria densa. Quando por exemplo um magnetizador de cura faz a imposição das mãos ou transmite vibrações magnéticas a um paciente, mas sem irradiá-lo ao mesmo tempo com as mãos espiritual e astral, e sem imaginar que a força espiritual está influenciando a irradiando o espírito, a força astral influenciando a irradiando o corpo astral e a força material influenciando a irradiando o corpo material do paciente, então seu sucesso será só parcial, pois o paciente é constituído dessas três partes indissolúveis: o corpo, a alma e o espírito.

Para o mago é óbvio que o corpo mental só influencia a esfera mental ou o espírito, o corpo astral só influencia a esfera astral, portanto a alma, e o corpo material só influencia o mundo material. Essa lei deve sempre ser respeitada. Por esse motivo é preciso que o mago aprenda a se sintonizar tanto espiritual quanto animicamente e aja sempre em conexão com o espírito ou com a alma. Depois de ter aprendido e entendido bem esse assunto, e dominar a sua prática, ele poderá prosseguir em sua evolução.