Projeção Externa Sem Passar Pelo Corpo

Sente-se na sua asana a respire tranqüilamente, sem esforço. Imagine-se atraindo o elemento fogo do espaço infinito, do Universo, a preencha com ele o ambiente em que você mora. Imagine o Universo como uma esfera imensa, da qual você extrai o elemento de todos os lados, preenchendo com ele o ambiente ao redor.

Imagine que o elemento fogo é o mais etérico, o mais sutil da fonte primordial, a quanto mais você o aproxima de si, tanto mais denso, material a quente ele fica. Nesse exercício, você deverá sentir o calor em seu próprio corpo. Quanto mais o elemento comprimido for adensado no ambiente, tanto maior será o calor. Você deverá sentir-se como em um forno. Depois, dissolva esse elemento novamente no infinito, através da força de vontade a da imaginação.

Repita a mesma coisa com o elemento ar, que também deverá ser atraído de todos os lados do Universo esférico, para depois preencher o ambiente adensando-se nele. Nesse exercício você deverá ter a sensação de flutuar num mar infinito de ar, totalmente livre de peso a da força da gravidade. Se esse exercício tiver sido bem realizado, você se sentirá, nesse ambiente assim preenchido, tão leve quanto um balão. O elemento ar adensado deve ser dissolvido em sua substância primordial da mesma forma que o elemento fogo descrito no exercício anterior.

Proceda da mesma forma com o elemento água. Imagine-se atraindo esse elemento de um oceano infinito, primeiro na forma de um vapor frio, que você irá adensando cada vez mais à medida em que for aproximando-o de você a do ambiente. Com esse vapor frio você deverá preencher todo o ambiente, imaginando-se no ponto central desse elemento aquoso imaginário. Você deverá ter a sensação de um frio gélido, que chega a provocar arrepios na pele de seu corpo material denso. Assim que sentir esse frio, você deverá transferir o elemento água novamente à sua forma primordial a deixá-lo fluir ao infinito.

Desse modo, como mago você será capaz de tomar o seu ambiente fresco a confortável em poucos minutos, mesmo no verão mais quente. Proceda da mesma forma com o elemento terra. Puxe uma massa cinzenta do Universo, que, como o barro, vai se tomando cada vez mais marrom à medida em que desce, aproximando-se, de você. Preencha todo o ambiente densamente, com essa massa pesada. Com isso você deverá sentir o seu peso, assim como a sua força relativa e a pressão em seu próprio corpo. Depois de sentir o elemento terra em toda a sua potência, transponha-o novamente à sua substância primordial, como foi feito com os outros elementos.

Como podemos ver, nesse processo a extração e a materialização dos elementos dirige-se exatamente àquele local em que nós os concentramos, sem que o elemento com o qual estamos trabalhando no momento passe pelo corpo. Portanto, tudo acontece fora de nosso corpo. O mago deve dominar ambos os métodos perfeitamente, porque em alguns trabalhos mágicos ele precisa de um elemento materializado através de seu corpo, como por exemplo, na cura de doentes, na produção de espíritos serviçais a elementares; em outros casos ele precisa do elemento universal adensado, de forma direta. Dominando bem essa prática, ele estará apto a seguir adiante.

O exercício seguinte consiste em extrair um elemento do Universo, não para preencher um ambiente como no exercício anterior, mas para adensar uma determinada forma escolhida, similarmente ao que descrevemos naqueles exercícios em que foram adensadas formas do elemento no corpo (plexo solar) a fixadas fora do corpo como se flutuassem no ar. A diferença é que agora as formas não são mais criadas no corpo, mas sim diretamente no ar, onde passam a flutuar. Assim o mago deverá saber produzir uma esfera de fogo, uma de ar, uma de água a uma de terra.

Depois de conseguir isso sem dificuldades, ele deverá criar outras formas a partir dos elementos que flutuam à sua frente no ambiente, a depois de certo tempo deixar esses elementos fluírem novamente ao Universo. Mas ao fazê-lo, deverá sempre manter a nítida percepção da característica específica do elemento com que trabalha; deverá até conseguir com que um não-iniciado ou leigo sinta e veja o elemento em questão. Mas essas já são grandes conquistas, o resultado de um trabalho árduo nesse campo.

Finalmente, ao longo de sua evolução, o aluno deverá it se tornando capaz de adensar todos os elementos do Universo, comprimindo-os em qualquer forma desejada. É esse o objetivo do exercício que acabamos de apresentar. Nesse aspecto, os magos bem treinados conseguem adensar um elemento de tal forma que ele chega a se transformar numa energia material. Assim por exemplo, com o elemento fogo você poderá atear fogo em algo que estiver a uma enorme distância. No começo, experimente comprimir uma esfera de fogo diretamente com a imaginação, puxando-a do Universo sem deixá-la passar primeiro pelo corpo, até que ela se transforme numa esfera pequenina, quase uma fagulha incandescente. Coloque essa fagulha num chumaço de algodão embebido em material levemente inflamável como éter, gasolina ou álcool. Prepare da mesma maneira uma outra fagulha com o elemento ar a deixe ambas se tocarem; você verá o chumaço começar a queimar. Depois que o mago conseguiu realizar essa pequena proeza, deverá tentar fazê-lo com o pavio de uma vela normal a depois com uma lamparina de querosene. Não será difícil.

Ele poderá também criar uma fagulha num copo de vidro ou numa garrafa, jogando neles depois uma fagulha de água rápida como um raio. Ao se tocarem ambos os elementos explodem, e o copo ou a garrafa se quebra em mil pedacinhos. O próprio mago poderá depois montar essas a outras brincadeiras semelhantes, pois já terá conhecimento e domínio das leis. Mas o verdadeiro mago não deve perder tempo com esses truques de magia; ele sabe que pode produzir fenômenos naturais através dos elementos, como raios, trovões, tempestades a chuvas, a também afastá-los, fixá-los ou transferi-los. Todas essas forças que aparecem ao homem normal como milagres são naturais para o mago, a fica a seu critério ocupar-se desses fenômenos ou seguir adiante em sua evolução mágica. Entre outras coisas ele sabe que os faquires do Oriente conseguem, só através do domínio dos elementos, realizar o autêntico milagre da mangueira, em que esta cresce da semente à árvore a finalmente produz frutos, tudo isso em uma hora somente.

O aluno tem a possibilidade de controlar também fisicamente o adensamento material de um elemento, na medida em que joga a forma adensada desse elemento num copo de água pura, ou melhor, destilada, repetindo a operação várias vezes. Ele perceberá que com o elemento fogo a água terá um gosto meio azedo, com o ar ele será meio adocicado, com a água o gosto será acre, a com a terra mofento. Esse processo pode até ser provado quimicamente, ao molharmos com essa água impregnada uma pequena tira de papel de tornassol. Numa impregnação fume a bem feita constataremos que com os elementos ativos, fogo a ar, ocorre uma reação ácida no papel, a com a água e a terra ocorre uma reação alcalina.

Quem não se lembra daquela passagem descrita pela Bíblia, as Bodas de Canaã, em que Cristo transforma a água em vinho? Só um grande iniciado como Cristo poderia ter realizado esse milagre; não através da influência dos elementos a partir do exterior, mas através do domínio do princípio do Akasha da água a ser transformada, de dentro para fora.

Com isso está concluído o item sobre o domínio dos elementos na Instrução Mágica da Alma, do Grau V. Ninguém deve seguir adiante sem praticar exaustivamente todos os exercícios a tarefas. Todos os exercícios estão regularmente ordenados a seguem concatenados, pois um sempre depende do outro. Presumo que ninguém terá a idéia de realizar exercícios avulsos ou prender-se a métodos aleatórios, pois assim o desejado sucesso não ocorreria, e além disso o aluno poderia sofrer danos em sua saúde. Tudo isso deve ser considerado. Mas quem conseguir assimilar bem um exercício atrás do outro, poderá seguir adiante com a consciência tranqüila, trabalhando em sua evolução mágica a todo vapor.