Projeção de Elementos

As indicações práticas do quarto grau nos ensinaram a atrair os quatro elementos do Universo ao nosso corpo, represá-los no corpo inteiro e depois em cada parte dele individualmente, promovendo assim uma tensão dos elementos, ou melhor, uma dinâmica desses elementos. Devido a essa tensão, o corpo a cada exercício foi se tornando mais elástico e resistente à pressão sofrida. Esse grau nos leva mais adiante, ao nos ensinar a projetar os elementos para o exterior e a dominá-los, pois sem essa projeção externa o trabalho com a magia prática é impensável. Esse é o motivo porque, devemos nos empenhar bastante em dominar essa prática com maestria.

Projeção dos Elementos para o Exterior

a) através do próprio corpo e represados pelo plexo solar

Sente-se na posição habitual. Com ajuda da imaginação inspire o elemento fogo pelos pulmões e os poros para o corpo inteiro. Inspire esse elemento com sua característica de calor, para todo o corpo, e expire o ar vazio. Assim que o calor estiver contido com força em seu corpo todo e o elemento fogo estiver represado, deixe, através da imaginação, que o elemento flua do plexo solar e preencha todo o ambiente em que você se encontra. Ao esvaziar o elemento do corpo você deverá sentir que este se libertou completamente, e que o elemento antes represado espalhou-se pelo ambiente, de modo semelhante ao que foi feito na impregnação do ambiente com a energia vital.

Repita por algumas vezes esse esvaziamento e represamento do elemento, e a cada libertação de seu corpo represe-o cada vez mais no ambiente. Assim que você estiver livre do elemento, deverá sentir e perceber em seu próprio corpo o elemento represado no ambiente, a ponto deste até tornar-se aquecido. Depois de algum tempo de prática, o calor do ambiente não só será subjetivo, como existirá de fato; se uma pessoa iniciada ou não na magia entrar nesse local assim preenchido com o elemento, com certeza ela vai sentir esse calor. Um termômetro poderá nos provar se a nossa imaginação relativa ao fogo consegue materializá-lo a ponto de tornar real o calor do ambiente. O sucesso desse exercício depende da vontade e da força de imaginação plástica.

Porém nessa etapa ainda não teremos a possibilidade de produzir um calor físico que possa ser captado por um termômetro. Mas se um mago tiver bastante interesse em agir fenomenologicamente nessa direção, então, de posse das instruções pertinentes ele poderá especializarse nisso, na medida em que passar a concentrar-se no exercício com esse elemento em particular. Mas o verdadeiro mago não se sentirá satisfeito só com um fenômeno tão pequeno, e com certeza vai preferir trabalhar em sua evolução, pois está convencido de que com o tempo poderá chegar bem mais longe.

O exercício da projeção no ambiente estará completo quando o mago sentir nitidamente o calor naquele local. Se for esse o caso, então ele deverá dissolver o elemento fogo represado devolvendo-o ao infinito, portanto ao Universo, e deixando-o fluir em todas as direções, em forma esférica.

Mesmo que o ambiente esteja carregado com o elemento, o mago poderá sair dele quando quiser, sem ter de dissolver esse elemento antes. Ele poderá também determinar o tempo de duração do elemento no ambiente, de modo semelhante à impregnação que vimos anteriormente. Toda ocorrência depende da sua vontade e da sua imaginação. Mas não é conveniente abandonar por muito tempo um ambiente represado com um determinado elemento, pois os seres elementares gostam de brincar nessa atmosfera, o que geralmente acontece às custas do mestre. Mais detalhes no capítulo referente ao trabalho com os espíritos elementares.

Devemos ainda lembrar que caso o mago esteja trabalhando ao ar livre, portanto num ambiente sem limites, então, com a ajuda da imaginação, ele deve delimitar um certo espaço de qualquer tamanho, à sua escolha. A imaginação não deve ter limites, em qualquer caso. Do mesmo modo que com o elemento fogo, você deverá realizar esse mesmo exercício com os outros três elementos, isto é, depois do fogo o ar, a água, e por último a terra.

A organização dos exercícios fica a critério do aluno, pois ela depende das suas possibilidades e da sua disponibilidade de tempo. Ele poderá represar um elemento num dia, outro elemento no dia seguinte, etc., ou então o primeiro elemento de manhã, o segundo à tarde, o terceiro à noite e o quarto na manhã seguinte. Os alunos que dispõem de bastante tempo e muita força de vontade poderão exercitar-se nos quatro elementos em seguida. Esses alunos darão grandes passos no domínio dos elementos, e ao dominá-los todos, poderão prosseguir em sua caminhada.

b) represados pelas mãos

O exercício anterior ensinou ao mago como represar exteriormente, no ambiente, o elemento inspirado através do plexo solar. No exercício seguinte ele aprenderá a deixar fluir ao ambiente o elemento previamente represado através da respiração pulmonar e pelos poros, não só pelo plexo solar mas também pela expiração através dos poros de todo o corpo, produzindo assim um represamento de elementos no ambiente. Isso deve ser exercitado da mesma forma com todos os outros elementos. A dissolução no Universo, no infinito, ocorre do mesmo modo descrito no exercício anterior. Ao dominar totalmente esse exercício, o aluno poderá prosseguir, realizando esse exercício com as diversas partes do corpo. Na magia são normalmente usadas as mãos e os dedos, aos quais o aluno deve dedicar a máxima atenção.

Através da respiração pelos poros ele deverá represar o elemento em questão em uma das mãos ou em ambas, de tal maneira que, com um simples movimento, ele poderá instantaneamente jogar o elemento da mão ao ambiente escolhido, impregnando-o. Através da repetição constante dos exercícios nós nos tornaremos mestres nisso. O aluno deverá realizar e dominar esses exercícios com todos os elementos, e depois poderá seguir adiante.

Sente-se na sua posição habitual. Inspire o elemento fogo com a respiração pulmonar e dos poros de todo o corpo, represando-o no corpo inteiro até começar a sentir calor. Então imagine que o elemento fogo represado na caixa torácica, no plexo solar, forma uma esfera de fogo compacta, com um diâmetro de cerca de 10 a 20 cm. Essa esfera compacta deve ser tão clara e incandescente, a ponto de parecer um sol brilhante. Então imagine que ela se liberta de seu envoltório solar e passa a flutuar livremente no espaço. Mesmo flutuando assim no espaço a esfera deve ser imaginada branca, incandescente, irradiando calor. Conserve essa imagem na mente o máximo que puder. Ao aproximar as mãos dessa esfera, você deverá sentir o calor irradiado.

Termine o exercício com a dissolução lenta da esfera no Universo, ou até mesmo súbita, deixando-a explodir no nada. Ambas as possibilidades deverão tornar-se corriqueiras para o mago. Do mesmo modo devemos proceder com o elemento ar, com o elemento água, e por último com o elemento terra. Para imaginar melhor o elemento ar, confira à esfera compactada a cor azul. A água deverá ser mais fácil de imaginar; mas se for difícil para você, então tente imaginá-la, no início, como um pedaço de gelo esférico. Com certeza não será difícil imaginar o elemento terra como uma esfera de barro. Assim que você conseguir realizar e dominar esse exercício com todas as quatro esferas dos quatro elementos, tente realizá-lo, usando o mesmo método, em outras formas de elementos. No início escolha formas simples, como dados, cones, pirâmides, etc. O exercício pode ser considerado completo quando você conseguir adensar cada um dos elementos que foram represados em seu corpo, numa forma qualquer, projetando-a para o exterior. Só quando o exercício anterior for dominado totalmente é que devemos passar para o seguinte, que descreve a projeção dos elementos diretamente do Universo.