Magia dos Ambientes

Nos exercícios anteriores o aluno adquiriu uma certa capacidade de concentração e aprendeu a transpor a sua consciência ou a adaptá-la a qualquer forma. Com isso ele terá condições de enxergar mais longe e mais profundamente. As instruções do quinto grau nos mostrarão como transpor a consciência ao ponto central de uma forma qualquer, desde o menor átomo até o Universo mais amplo.

Através disso o aluno aprende não só a entender, assimilar e captar a forma a partir de seu ponto central, mas também a dominá-la. As capacidades que ele poderá adquirir através da assimilação dos exercícios que seguem têm um grande significado para a magia, pois só através deles ele será capaz de promover o equilíbrio espiritual. Esse equilíbrio espiritual é a característica específica básica do princípio do Akasha ou princípio primordial do espírito. Mas vamos agora voltar aos exercícios práticos.

Assuma sua posição costumeira. Coloque à sua frente alguns objetos maiores, eventualmente uma grande esfera, um dado, etc. No início, seria conveniente selecionar alguns objetos bem compactos. Fixe um desses objetos por algum tempo, feche os olhos e transponha a sua consciência ao ponto de profundidade, portanto exatamente ao meio do objeto. Imagine-se e sinta-se no ponto central desse objeto. A transposição da consciência deve ser tão forte a ponto de fazer com que você se esqueça do próprio corpo.

Esse exercício é difícil, mas afinal, o treinamento é que cria o mestre! Ninguém deve assustar-se com os fracassos iniciais, mas deve continuar a praticar o exercício com perseverança. Como o homem só está acostumado a três dimensões, no começo surgem dificuldades que vão diminuindo a cada exercício; gradualmente nós vamos nos acostumando à concentração no ponto de profundidade de qualquer objeto. Ao conseguir realiza-lo por no mínimo cinco minutos, passe ao exercício seguinte. Depois de ser bem sucedido, vá escolhendo outros objetos, desta vez não simétricos.

A cada vez você terá de transpor a sua consciência ao meio do objeto e sentir-se tão pequeno quanto uma sementinha de papoula, ou mesmo um átomo. Depois de conseguir fazê-lo sem perturbações, passe a outro exercício, que consiste em assimilar a dimensão e a forma do objeto a partir de seu ponto de profundidade. Quanto menor você se imaginar ali e quanto mais a sua consciência encolher, tanto maior lhe deverá parecer o entorno ou a amplitude desse objeto. Para você, esse objeto escolhido deve ser todo um universo, e essa sensação deve ser mantida o máximo de tempo possível. Ao conseguir isso sem perturbações, tanto com um objeto simétrico quanto assimétrico, então passe para outro exercício.

O exercício anterior pode ser considerado como bem assimilado quando você tiver tido sucesso com cada um dos objetos igualmente. Depois de exercitar-se bastante na transposição ao ponto de profundidade você será capaz de olhar através de qualquer objeto e conhecer intuitivamente a sua estrutura material e espiritual. Ao mesmo tempo você também será capaz de influenciar qualquer objeto a partir desse ponto de profundidade, portanto do núcleo, carregá-lo magicamente e impregnar a sua esfera mental com um desejo. No quarto grau nós aprendemos a dominar isso através do represamento da energia vital de fora para dentro; esse grau nos ensina como fazer o mesmo de forma mais penetrante, por exemplo, de dentro para fora.

Um mago deve conseguir realizar a mesma coisa com animais a pessoas. Ele também deve ser capaz de faze-lo com aqueles objetos que não se encontram diretamente diante de seus olhos. Não há limites para a consciência, ela pode se transportar a qualquer distância, por maior que seja. Ao chegar a esse ponto o aluno deverá passar aos exercícios seguintes, cuja finalidade é transpor a consciência ao próprio corpo, Por exemplo, à quarta dimensão do corpo, ao pequeno universo ou microcosmo, portanto ao princípio do Akasha do próprio ser. A prática é a seguinte:

Sente-se tranqüilamente em sua posição habitual e feche os olhos. Transponha a sua consciência ao meio do seu corpo, isto é, à caixa torácica, onde está o coração, o assim chamado plexo solar. Você deverá sentir-se um simples pontinho, um grãozinho de átomo no ponto central de profundidade localizado entre a coluna vertebral externa e a caixa torácica anterior que envolve o coração. Esse ponto central é o ponto mais profundo do seu corpo. Tente permanecer lá, com a sua consciência por pelo menos cinco minutos; para controlar o tempo use um despertador.

Partindo desse ponto, comece a observar o seu corpo. Quanto mais diminuto você se imaginar tanto maior e mais abrangente lhe parecerá o entorno de seu corpo, que se assemelhará a um grande universo. Nesse momento então, pense o seguinte: "Eu sou o ponto central de meu corpo, eu sou a energia determinante dele".

As dificuldades iniciais não devem intimidar o aluno. No início talvez ele só consiga realizar o exercício por alguns segundos, mas com o treino constante esses segundos se transformarão em minutos. O aluno deverá ser capaz de manter a sua consciência nesse ponto de profundidade por pelo menos cinco minutos. Ao exercitar-se no quinto grau ele deverá conseguir transpor-se a esse ponto de profundidade em qualquer situação ou momento, portanto transpor-se ao princípio do Akasha, e a partir daí reconhecer tudo o que se refere ao seu ser a atuar nele por exemplo. Essa transposição da consciência ao próprio princípio do Akasha é o verdadeiro estado mágico de transe, que é o grau anterior à conexão com a consciência cósmica. A prática para essa conexão com a consciência cósmica será descrita num grau subseqüente.

O estado mágico de transe não deve ser confundido com aquele que é evocado pelos médiuns espíritas, caso se trate de uma mediunidade espiritual verdadeira. Na maioria das vezes é criada uma grande farsa para enganar os crédulos. Os verdadeiros médiuns espíritas induzem os seus estados de transe através da oração, do canto, ou de alguma meditação, ou mesmo inversamente através da passividade (vazio mental) do espírito, sobre a qual evocam um deslocamento espontâneo da consciência. Nesse estado torna-se possível a indução do corpo astral e do corpo material denso, por elementares, desencarnados e outros seres inferiores, a manifestações e comportamentos estranhos.

Do ponto de vista hermético essas experiências são encaradas como possessões, mesmo quando se tratam de seres de boa índole. Por exemplo: o verdadeiro mago não duvida desses fenômenos, quando são experiências espiritualistas autênticas, mas no máximo ele lamentará a sina desses intermediários-médiuns. O mago age de outra maneira, conectando-se aos seres conscientemente. Descreveremos mais detalhes sobre isso num capítulo especial.