Acumulação de elementos em todo o corpo, e nas partes do corpo

Nesse capítulo ampliaremos o nosso trabalho com os elementos. Através da respiração pelos pulmões e pelos poros nós aprendemos a assimilar um elemento e a sentir a sua característica específica em todo o corpo. Agora carregaremos cada uma das partes do corpo, o que pode ser feito de duas maneiras; de qualquer forma, o mago deve dominar ambos os métodos. O primeiro é o seguinte:

Você deve inspirar o elemento para dentro de seu corpo através da respiração pulmonar e pelos poros e represá-lo, isto é, expirando o ar sem a imaginação. Na inspiração, a sua imaginação sensorial deverá acompanhar-se da característica específica do elemento: no caso do fogo o calor, da água o frio, do ar a leveza, e da terra o peso. Deve-se começar com sete inspirações.

Ao invés de dissolver imaginariamente o elemento represado novamente no Universo, conduza-o à parte do corpo escolhida, comprimindo ainda mais a característica específica do elemento e preenchendo essa parte com ele. O elemento, comprimido com sua característica específica, deve ser sentido com mais força na pane do corpo em questão do que no corpo todo.

Do mesmo modo que o vapor, comprimido para se obter uma maior pressão, a carne, os ossos e a pele dessa parte do corpo devem ficar bem impregnados pelo elemento. Portanto, quando você sentir com muita força a característica específica do elemento na parte do corpo carregada, deixe-a espalhar-se por todo o corpo com ajuda da imaginação, e fluir novamente para o Universo através da expiração, como explicamos no Grau III. Esse exercício deve ser feito com cada um dos elementos, alternadamente em um órgão externo e outro interno, com exceção do cérebro e do coração. O mago não deve fazer o represamento nesses dois órgãos, nem em si mesmo nem nos outros, para não provocar danos.

Só um mestre muito experiente no domínio dos elementos pode fazer um certo represamento também no coração e no cérebro, sem se prejudicar. Ele conhece o próprio corpo e consegue dominá-lo. Qualquer órgão (entre os quais o coração e o cérebro) é apropriado à assimilação dos elementos com suas características específicas, porém sem o represamento. Um iniciante deve evitar represar o coração e o cérebro com os elementos ou com a energia vital, principalmente quando ele ainda não consegue observar a função dos órgãos através da vidência.

Quando se faz um represamento dos elementos ou da energia vital em todo o corpo, o cérebro e o coração também se habituam ao represamento geral, pois a força de expansão não se concentra num só órgão, mas se espalha pelo corpo todo. É principalmente nos pés e nas mãos que se deve dominar a técnica do represamento dos elementos e da energia vital, pois eles serão muito necessários na aplicação prática da magia. Nesse caso, deve ser dada uma atenção especial aos dedos.

Outra possibilidade de esvaziamento de um elemento de uma parte do corpo consiste em, ao invés de conduzir o elemento represado primeiro de volta ao corpo para depois devolvê-lo ao Universo através da respiração pelos poros, nós podemos, com a ajuda da imaginação, devolver todo o elemento diretamente da parte em questão ao Universo, através da expiração. Este processo é mais rápido. Naturalmente um mago deve conhecer bem ambas as técnicas e usá-las conforme a sua vontade.

O segundo método do represamento dos elementos numa parte qualquer do corpo consiste em transpor a consciência a essa parte deixando-a inspirar e expirar (como a respiração pelos poros). A cada respiração o elemento é inspirado e expirado. Ao sentir que o elemento escolhido foi represado numa quantidade suficiente na parte do corpo visada, devemos liberá-lo novamente através da expiração, Le., devolvê-lo ao Universo do qual foi extraído. Esse processo é rápido e simples, mas exige uma boa transposição de consciência. A técnica do represamento da energia vital numa determinada parte do corpo também deve ser dominada. Depois de nos tornarmos mestres nessa prática, podemos dar um passo adiante.

Nós já aprendemos que, segundo os elementos, o corpo humano é dividido em quatro regiões principais. Para nos lembrarmos melhor disso, repetiremos essas divisões: dos pés até as coxas - ou cóccix, inclusive os órgãos genitais - é a região que corresponde à terra; a região ventral, com todos os órgãos internos, como intestinos, baço, vesícula biliar, fígado, estômago, até ao diafragma, corresponde ao elemento água; o tórax com os pulmões e o coração, até ao pescoço correspondem ao elemento ar, e a cabeça com todos os seus órgãos corresponde ao elemento fogo. O objetivo do exercício que se segue é carregar as regiões do corpo com seus elementos correspondentes. Na prática isso funciona da seguinte forma:

Assuma a sua posição preferida do corpo (asana). Através da respiração pelos pulmões e pelos poros inspire o elemento terra, com sua característica específica do peso, à região do corpo correspondente à terra - dos pés ao cóccix, passando pelos órgãos genitais.

Você deve inspirar o elemento terra por sete vezes e expirar o ar vazio, para que essa região seja preenchida com o elemento que a influencia. Mantenha o elemento terra na região da terra e inspire o elemento água à região da água, portanto o ventre, mas sem expira-lo, para que essa região também fique preenchida com seu próprio elemento. Depois passe para o próximo elemento, inspirando o elemento ar por sete vezes para preencher o tórax a deixando-o em sua própria região, sem expirá-lo. Segue-se a região da cabeça, que é preenchida também através de sete inspirações do elemento fogo; a expiração que se segue é vazia, para que esse elemento permaneça na região.

Assim que todas as regiões forem carregadas com seus respectivos elementos, tente permanecer nessa condição de dois até cinco minutos, e depois comece com a dissolução deles. Deve-se começar no lugar onde se terminou, portanto em nosso caso começaremos com o elemento fogo da cabeça, inspirando-se sete vezes o ar sem o elemento, e irradiando-o em direção ao Universo a cada expiração (ao todo sete vezes). Assim que a região da cabeça estiver livre de seu elemento passaremos à região seguinte, a do ar, depois à da água a finalmente à da terra, até que o corpo todo esteja livre do represamento dos elementos.

Ao conseguirmos obter uma certa prática nesse exercício, poderemos ampliá-lo, não só preenchendo as regiões do corpo com os elementos, mas também represando-os ali. O processo é o mesmo que já descrevemos, i.e. começamos novamente com o elemento terra e terminamos com o elemento fogo. O processo de dissolução é o mesmo do exercício anterior.

Esses exercícios são muito significativos, pois eles promovem o uníssono do corpo material denso e também do corpo astral com as leis universais dos elementos. Se por algum motivo o mago entrar em desarmonia ao praticar esses exercícios, então ele logo recuperará a harmonia perdida. Ele sentirá a influência benéfica da harmonia universal total, não só por algumas horas mas por vários dias. Essa harmonia promoverá nele um sentimento de paz e de felicidade. A harmonização dos elementos no corpo ainda oferece outras possibilidades, entre as quais citarei algumas aqui. Mas o importante é que o aluno seja poupado das influências prejudiciais do lado negativo dos elementos.

Assim que alcança o equilíbrio mágico, o aluno passa a se situar no ponto central dos acontecimentos e vê todas as leis, todo o vir a ser e tudo o que passou numa perspectiva universal, portanto verdadeira. Ele é poupado de muitos doenças e promove um efeito compensador em seu próprio karma, e com isso também em seu destino, tomando-se mais resistente contra as influências desfavoráveis. Purifica suas auras mental e astral, desperta suas capacidades mágicas, a sua intuição assume um caráter universal. Seus sentidos astrais refinam-se, e suas capacidades intelectuais aumentam.