Neste capítulo mostrarei a vocês como se transpõe a consciência para o exterior. Devemos aprender a transpôr a nossa consciência para qualquer objeto, animal, e ser humano.
a) em objetos
Coloque algumas coisas à sua frente, daquelas que você usa todos os dias. Sentado na posição costumeira, fixe o pensamento num dos objetos por algum tempo, e registre com força em sua mente a sua cor, forma e tamanho. Então imagine-se transformado no objeto em questão. Você deverá, por assim dizer, sentir-se, perceber-se como o tal objeto, assimilando todas as suas características. Você deve sentir-se como se estivesse preso naquele local em que o objeto foi colocado, só podendo libertar-se através de uma intervenção externa. Pense também que agora você passou a exercer, imaginariamente, as funções daquele objeto.
Através de uma concentração intensa você deverá também observar o ambiente em volta a partir do ponto de vista do objeto e captar a relação deste com o objeto vizinho. Se por exemplo o objeto estiver sobre a mesa, então você deverá tentar sentir a sua relação com esse outro objeto sobre a mesa assim como com todos os demais que estiverem ali, e depois com o ambiente em geral. Depois de realizar esse exercício com um dos objetos, vá passando ao seguinte e assim por diante. O exercício estará completo quando você conseguir ligar cada objeto escolhido com a sua própria consciência, de modo a assumir a sua forma, seu tamanho e características mantendo-se assim por pelo menos cinco minutos, sem qualquer interrupção. Nesse caso o próprio corpo deve ser totalmente esquecido. Para essa transposição concentrativa da consciência prefira objetos maiores como flores, plantas, arbustos, árvores, e outros. A consciência não conhece o tempo nem o espaço, portanto ela é um princípio akáshico.
Não se assuste de modo algum com esses exercícios insólitos e nem com eventuais fracassos iniciais; com paciência, perseverança e tenacidade você alcançará o sucesso almejado. Só mais tarde o aprendiz entenderá o significado dos exercícios introdutórios da magia.
b) em animais
Depois de dominada a técnica da transposição da consciência aos objetos inanimados, passaremos aos seres vivos. Como já mencionamos anteriormente, a consciência é isenta de tempo e de espaço, por isso, durante o exercício com os seres vivos, o objeto escolhido não precisa estar diretamente à nossa frente. O aluno já deve estar tão instruído a ponto de imaginar qualquer ser vivo, mesmo que este não esteja presente. Ele deve então transpor sua consciência à de um gato, um cão, um cavalo, uma vaca, uma cabra, etc. Não importa o tipo de animal visado, ele poderá ser até uma formiga, um pássaro ou um elefante; devemos imaginá-lo primeiro numa posição de imobilidade, depois andando, correndo, esgueirando-se, voando ou nadando, conforme o animal em questão. O aluno deve ser capaz de transmutar sua consciência a qualquer forma desejada a agir de acordo. Ele deverá manter essa transposição por cinco minutos sem interrupções, caso queira dominar esse exercício. Os iniciados que treinam durante muitos anos estão em condições de entender qualquer animal e domina-lo conforme a sua vontade.
Com relação a isso, podemos nos lembrar daquelas lendas de lobisomens a outras histórias semelhantes, onde feiticeiros se transformam em animais. Para o mago, essas lendas e histórias fantásticas possuem um significado bem mais profundo. Nesses casos trata-se sem dúvida dos assim chamados magos negros, que para não serem reconhecidos em seus trabalhos perversos, assumem a forma de qualquer tipo de animal no mundo invisível. O bom mago sempre avalia essas atitudes, e suas capacidades espirituais permitem-lhe olhar através desses seres e reconhecer a sua forma original verdadeira. Nossos exercícios preparatórios não têm o propósito de levar o aluno às más ações, mas sim prepará-lo para a alta magia, onde em certos trabalhos ele terá de assumir formas divinas mais elevadas para as quais transporá a sua auto-consciência. Ao atingir o ponto de conseguir assumir, com a própria consciência, qualquer tipo de animal e permanecer nessa imaginação sem interrupções ao longo de cinco minutos, então poderemos realizar a mesma coisa com seres humanos.
c) em pessoas
No início devemos escolher conhecidos, parentes, amigos, pessoas das quais nos lembramos bem, sem diferenciar os sexos ou as idades. Devemos aprender a transpor a nossa consciência ao corpo do outro de modo a sentir e pensar como a pessoa imaginada. Das pessoas conhecidas podemos passar às estranhas, aquelas que nunca vimos antes, e que portanto só podemos imaginar. Finalmente, como objeto da experiência devemos escolher pessoas de outras raças e cores. O exercício estará completo quando conseguirmos transpor nossa consciência a um corpo imaginado, por no mínimo cinco minutos. Quanto mais tempo conseguirmos mantê-lo assim, tanto melhor.
Através desse exercício o mago adquire o poder de se ligar a qualquer pessoa; ele não só passa a conhecer os sentimentos e pensamentos da pessoa imaginada, seu passado e seu presente, como ela pensa, sente e age, mas também consegue influenciá-la à vontade. Porém nunca se esqueça do ditado: "O homem colhe aquilo que semeia!" Por isso o mago nunca usará sua influência para o mal, ou para obrigar as pessoas a agirem contra a sua vontade.
O grande poder que ele adquire sobre as pessoas deverá ser usado só para o bem; assim ele nunca perderá o seu dom. O mago saberá então porque no Oriente o aluno admira tanto o seu mestre, ou guru. Através desse sentimento de admiração pelo seu mestre o aluno liga-se instintivamente à consciência dele, que assim passa a influenciá-lo indiretamente, possibilitando-lhe uma evolução mais rápida e segura. É por isso que os métodos orientais de aprendizado sempre consideram um mestre, ou guru, como fator essencial para o desenvolvimento do aluno. O famoso Ankhur do Tibet apoia-se no mesmo princípio, porém numa seqüência inversa, em que o mestre se liga à consciência do aluno e assim lhe transmite o poder e a iluminação. É o mesmo caso dos místicos, em que a transferência é da assim chamada "pneuma".