Inalação dos elementos no corpo inteiro (Fogo, Ar, Água, Terra)

Antes de iniciar a instrução desse grau, para que não nos prejudiquemos devemos ter certeza de que em nossa alma prevalece o equilíbrio astral dos elementos, o que pode ser obtido pela introspecção e o auto-domínio. Diante da certeza de não haver nenhum elemento predominante, devemos, no decurso da evolução, continuar a trabalhar no aperfeiçoamento do caráter; mas mesmo assim, já podemos passar ao trabalho com os elementos, no corpo astral.

Nessa etapa, a tarefa é a adequação de si mesmo às características básicas dos elementos, tomando-os predominantes ou neutralizando-os novamente. Já conhecemos a teoria dos efeitos dos elementos e conectaremos a ela a prática, como segue:

a) fogo

O fogo, com sua expansão ou dilatação em todas as direções possui como característica específica o calor, por isso ele tem a forma esférica. Portanto devemos adequar-nos sobretudo a essa característica, de acordo com a nossa constatação, e sermos capazes de evocá-la a qualquer momento, na alma e no corpo. No domínio do corpo escolhemos uma posição na qual podemos permanecer confortavelmente e sem perturbações. Os hindus chamam essa posição de asana. Para fins elucidativos, daqui em diante nós também usaremos essa expressão. Portanto, assuma essa posição asana, e pense no ponto central do elemento fogo que envolve todo o Universo, de forma esférica. Imagine que tudo à sua volta, inclusive todo o Universo, é feito de fogo. Então comece a inspirar esse elemento com o nariz e com todo o corpo (respiração pelos poros) ao mesmo tempo; respire regular e profundamente sem pressionar o ar ou forçar o pulmão. O corpo material denso e o corpo astral devem assemelhar-se a um recipiente vazio no qual o elemento é inspirado, ou melhor, absorvido, a cada inspiração. A cada inspiração o calor do elemento deve ser aumentado e comprimido no corpo, tomando-se cada vez mais incandescente. O calor e a força de expansão devem ser cada vez mais fortes e a pressão ígnea cada vez maior, até finalmente nos sentirmos totalmente incandescentes e ardendo em fogo. Todo o processo de inspiração do elemento ígneo através do corpo inteiro é naturalmente só imaginário, e deve ser realizado em conjunto com a imaginação plástica do elemento. No início devemos fazer sete inspirações do elemento fogo, acrescentando mais uma a cada novo exercício. Em média, são suficientes 20 ou 30 inspirações. Só os alunos mais fortes fisicamente e com maior força de vontade conseguirão superar esse limite. Para não ter que contar o número de inspirações devemos usar o cordão de contas ou de nós, passando um nó ou uma conta adiante a cada nova inspiração. No começo o calor imaginado é sentido só pela alma, mas a cada nova experiência a incandescência torna-se mais perceptível, tanto na alma quanto no corpo; ela pode aumentar a temperatura de seu corpo (eventualmente provocando a transpiração) até ao nível da febre. Se enquanto isso o aluno tiver estabelecido o equilíbrio dos elementos na alma, então essa acumulação de um elemento no corpo não provocará maiores danos.

Depois de finalizar o exercício da acumulação imaginária do elemento fogo, devemos sentir a sua força de incandescência e de expansão e treinar a seqüência inversa, inspirando normalmente pela boca, e expirando tanto pela boca quanto pelo corpo todo (expiração pelos poros), jogando o elemento fogo de volta ao Universo. Essas respirações para a expiração do elemento devem ser feitas com a mesma freqüência com que foram feitas as respirações anteriores, para a sua inspiração. Se naquele caso começamos com sete respirações, então neste também devemos realizar sete respirações para expirar o elemento. Isso é muito importante, porque depois do exercício o aluno deve ter a sensação de que não sobrou nem um pedacinho de elemento nele, e a sensação de calor também deve desaparecer totalmente. Por isso é aconselhável usarmos o cordão de contas ou de nós para a contagem, tanto da inspiração quanto da expiração. Os exercícios devem ser realizados primeiro com os olhos fechados, a depois com eles abertos. A pesquisadora a viajante Alexandra David-Neel, que estudou e conheceu bem os costumes do Tibet, descreveu em seus livros uma experiência semelhante chamada Tumo, supostamente realizada pelos lamas, mas que não é muito adequada à prática pelos europeus, e não deve ser recomendada aos alunos de magia. No Oriente existem iniciados que praticam esse tipo de exercício (chamado de Sadhana) durante anos a materializam o elemento fogo de tal forma que conseguem até andar nus e descalços mesmo nas estações mais frias do ano sem sentirem o efeito do frio, conseguindo secar com o calor do próprio corpo os panos molhados que os envolvem. Através da acumulação do elemento fogo eles conseguem influir no ambiente que os cerca e com isso diretamente na natureza, derretendo a neve e o gelo que estão a metros, ou até a quilômetros de distância à sua volta. Esses e outros fenômenos semelhantes também podem ser provocados por um europeu, se ele se dispor a gastar o tempo necessário para o treinamento. Mas para a nossa evolução mágica é necessário dominarmos não só um elemento, mas todos eles, o que seria o correto do ponto de vista mágico.

b) ar

Agora seguem-se os exercícios do elemento ar, que devem ser realizados do mesmo modo que os do elemento fogo, só que com a imaginação de uma sensação diferente. Coloque-se na mesma posição confortável do corpo, feche os olhos e imagine encontrar-se no meio de um espaço aéreo que preencha todo o Universo. Nada do que estiver em volta deve ser considerado, e não deve existir nada para você além desse espaço pleno de ar que envolve todo o Universo. Você deverá inspirar esse elemento aéreo para o recipiente vazio da alma a do corpo material denso através da respiração total do corpo (pelos poros e pelos pulmões). A cada respiração o corpo todo vai sendo preenchido com mais ar. Você deve fixar a imaginação de que a cada respiração o seu corpo se preenche de ar de tal forma a parecer um balão. Ao mesmo tempo imagine que seu corpo vai se tornando cada vez mais leve, tão leve quanto o próprio ar; a sensação de leveza deve ser tão intensa a ponto de você mesmo não sentir mais o próprio corpo. Do mesmo modo que no exercício do elemento fogo, o do elemento ar deve ser iniciado com sete inspirações e expirações cada. Depois de concluído o exercício devemos ter novamente a sensação de que não sobrou nada do elemento ar em nosso corpo, e que nos sentimos tão normais quanto antes do exercício. Para não precisar contar, podemos usar novamente o cordão de nós ou de contas. De um exercício a outro devemos aumentar o número de inspirações a expirações, mas sem ultrapassar o número quarenta. Através do treinamento constante, alguns iniciados conseguem até levitar, andar sobre a superfície da água, flutuar no ar, deslocar o corpo, etc., principalmente quando o iniciado se concentra em um único elemento. Mas nós magos não nos satisfazemos com fenômenos unilaterais, pois não é esse nosso objetivo. Nossa vontade é penetrar mais profundamente na sua descoberta e seu domínio para evoluirmos cada vez mais.

c) água

Segue-se a descrição da prática com o elemento água. Assuma novamente aquela posição habitual do corpo, feche os olhos e esqueça todo o ambiente ao redor. Imagine que todo o Universo se parece ao oceano infinito e que você se encontra em seu ponto central. Com cada respiração de corpo inteiro, o seu corpo se preenche com esse elemento. Você deve sentir o frio da água em todo o corpo, e quando ele estiver cheio do elemento, depois de sete inspirações, então expire-o por sete vezes. Em cada expiração você deverá eliminar esse elemento água do corpo, de modo que na última delas não sobre mais nada. Nesse caso também o cordão de nós ou de contas lhe será muito útil. A cada novo exercício faça uma respiração a mais. Quanto mais freqüente for a realização de suas experiências, tanto mais nítida será a sua percepção do elemento água, com toda a sua frieza característica. Você deve imaginar-se na forma de um cubo de gelo. Cada um dos exercícios não deve ultrapassar os vinos minutos. Com o tempo, você deverá conseguir esfriar seu corpo também quando estiver fazendo muito calor, num verão dos mais quentes. Os iniciados do Oriente dominam esse elemento tão completamente que conseguem produzir grandes fenômenos com ele. Conseguem produzir chuva na época mais quente e seca ou mesmo interrompê-la, conseguem afastar as tempestades, tranqüilizar o mar bravio, dominar todos os animais que vivem debaixo da água, etc. Para o mago verdadeiro, esses e outros fenômenos semelhantes são facilmente explicáveis.

d) terra

Agora resta-nos descrever ainda o último elemento, o da terra. Assim como nos exercícios anteriores com os elementos, assuma aquela sua posição confortável. Desta vez imagine o Universo inteiro como terra, e você no seu ponto central. Não imagine a terra como um punhado de barro, mas sim como matéria densa; a característica específica da matéria do elemento terra é a densidade e o peso. Com a ajuda da respiração de corpo inteiro, você deve preencher o seu corpo todo com essa matéria pesada. No início sete vezes, e a cada exercício suplementar, uma respiração a mais. Você deve concentrar em si mesmo tanta matéria a ponto do corpo ficar pesado como uma bola de chumbo, e parecer quase paralisado. A expiração é a mesma dos outros elementos. No final do exercício você deverá sentir-se tão normal quanto no início dele, e a sua duração não deve ultrapassar o tempo máximo de vinte minutos. Esse exercício (Sadhana) é realizado por muitos lamas tibetanos; eles começam a meditar sobre um punhado de lama, deslocam-no a meditam novamente sobre ele. O verdadeiro mago consegue captar e dominar o elemento de um modo mais simples, diretamente na sua raiz, e portanto não precisa desses processos complicados de meditação. A cor dos diversos elementos pode servir como imaginação auxiliar, ou seja: o fogo vermelho, o ar azul, a água azul-esverdeada, a terra amarela, cinza ou preta. A imaginação da cor é uma escolha totalmente individual mas não estritamente necessária. Se alguém achar que ela facilita o trabalho então pode usá-la, logo no início. Em nossos exercícios tratase basicamente de uma imaginação sentida. Depois de um treinamento mais longo cada um deve, por exemplo através do elemento fogo, conseguir produzir um calor tão grande a ponto dele poder ser constatado num termômetro como uma temperatura de febre. Esse pré exercício do domínio dos elementos é imprescindível, por isso deve ser alvo da máxima atenção. O tipo de fenômeno que um iniciado pode produzir por exemplo no domínio do elemento terra é muito diversificado, e fica a critério de cada um refletir sobre isso. O domínio dos elementos é o campo mais obscuro da magia; falou-se muito pouco sobre ele até hoje, porque ele contém o maior dos arcanos. Ao mesmo tempo é o campo mais importante da magia, e quem não conseguir dominar os elementos não alcançará muita coisa importante no conhecimento mágico.