Controle Corporal

Sentar-se confortável e tranqüilamente também é uma arte, e deve ser aprendida. Sente-se numa cadeira de forma a manter a coluna ereta. No início é permitido apoiar-se no encosto. Os pés devem ficar juntos e formar um ângulo reto com os joelhos. Nessa posição você deverá sentir-se livre, sem nenhuma tensão nos músculos, com ambas as mãos apoiadas levemente sobre as coxas. Coloque um despertador à sua frente, dê-lhe corda e ajuste-o para tocar em cinco minutos.

Então feche os olhos e acompanhe mentalmente todo o seu corpo. No início você perceberá como os músculos estão intranqüilos por causa da excitação dos nervos. Obrigue a si mesmo, com toda a energia, a permanecer sentado tranqüilamente e a relaxar. Por mais que esse exercício pareça fácil, para o iniciante ele é muito difícil. Caso os joelhos insistam em se separar, podemos, no início, amarrar as duas pernas com uma toalha ou um cordão. Se você conseguir permanecer sentado durante os cinco minutos sem nenhum tique nervoso, portanto sem perturbações, então acrescente um minuto no tempo de cada novo exercício.

Este estará completo quando você conseguir permanecer sentado tranqüila e confortavelmente, sem perturbações, durante meia hora. Ao alcançar essa meta, você perceberá que em nenhuma outra posição do corpo poderá descansar e recuperar as forças tanto quanto na acima descrita.

Se quisermos usar o exercício da postura do corpo como um meio para o desenvolvimento da força de vontade, então, caso já dominemos a prática acima aconselhada pelo tempo de uma hora, poderemos escolher diversas outras posições a nosso gosto. No capítulo sobre as asanas, a ioga hindu aconselha e descreve um grande número dessas posições e até afirma haver a possibilidade de se obter poderes ocultos através do domínio desses exercícios.

Mas ela não explica se esses poderes são despertados exclusivamente por essas posturas corporais (asanas). Para nosso desenvolvimento mágico precisamos de uma postura do corpo, não importa qual; a mais simples é a descrita anteriormente. Ela serve para aquietar o corpo a fortalecer a força de vontade. Mas além do corpo, é sobretudo o espírito e a alma que precisam de um trabalho sem perturbações, o que descreveremos em detalhes nos capítulos especiais subseqüentes.

Principalmente aqueles alunos que se cansaram muito mental e animicamente nos exercícios do Grau II, e por isso adormecem sistematicamente nos exercícios de concentração e de meditação, deveriam praticá-los na posição corporal aconselhada acima. O aluno deve esforçar-se também em exercitar o domínio do corpo na vida prática. Através da observação e da atenção contínuas ele encontrará muitas oportunidades para isso.

Se nos sentirmos muito cansados, então devemos nos obrigar a realizar algum pequeno serviço ou dar um pequeno passeio. Se estivermos com fome, devemos adiar a refeição por cerca de meia hora, e se tivermos sede não devemos beber imediatamente, mas deixar passar um pouco de tempo. Na pressa costumeira devemos nos forçar a uma atitude mais lenta a vice-versa; quem for uma tartaruga, deve adotar um comportamento mais ágil. Fica a critério do aprendiz usar a sua força de vontade para dominar o seu corpo e os seus nervos e forçá-los a fazer o que for determinado.