Muitas histórias e contos de fada dizem que esse ou aquele feiticeiro tornou-se invisível, de que existe um anel de invisibilidade que a gente pode girar no dedo para se tornar invisível. Muitos livros também descrevem talismãs e pedras preciosas que, ao serem usados, tornam seus donos invisíveis, e também fornecem orientações para que isso aconteça. Mas nada disso é sério e passível de utilização na prática. Mas existe, de fato, do ponto de vista mágico, a técnica para a produção da invisibilidade; nós a descreveremos e confirmaremos aqui em relação às leis universais e ao que já foi ensinado até agora.
Existem principalmente uma invisibilidade mental ou espiritual, uma astral ou anímica, e uma física. A invisibilidade do corpo mental, do espírito, não tem um valor especial; mas na vida podem ocorrer situações em que até precisaremos dela. Caso o mago queira transpor-se a algum lugar, em espírito ou alma, onde ele não quiser ser visto ou percebido pelos sentidos instruídos de alguém ou por seres de qualquer espécie, então ele poderá usar a invisibilidade. Digamos que, por exemplo, um mestre ou um guru queira procurar seu aluno mentalmente para controlá-lo. O mestre, então, poderá transportar-se diretamente à proximidade do aluno através da invisibilidade, sem ser notado, mesmo quando o aluno já tiver desenvolvido seus sentidos de várias maneiras. Além disso, o mago poderá aproximar-se dos magos negros que realizam trabalhos maléficos para saber de tudo o que ele está fazendo ou, se for necessário, até mesmo influenciá-lo de alguma maneira, sem ser notado. Na vida podem surgir muitas outras situações em que a invisibilidade mental ou astral se faça necessária.
A invisibilidade espiritual é muito simples e é obtida quando se preenche o corpo espiritual dos pés à cabeça com o Akasha. Quando isso ocorre, o corpo espiritual desaparece imediatamente da frente de qualquer ser, pois o Akasha é incolor e isento de vibrações. Se o espírito do mago quisesse agir em um dos planos mentais, o seu trabalho seria notado no princípio do Akasha e, mesmo invisível, ele poderia ser percebido através da clarividência por causa da sua atividade. Para evitar isso, o mago deverá formar um invólucro negro ao redor de seu corpo assim que terminar de preencher o seu corpo espiritual com o Akasha. Não importa se ele escolheu assumir a forma de uma esfera ou de um ovo; o importante é que ele não se esqueça de fechar-se totalmente com o Akasha também sob os pés e sobre a cabeça. Antes de deslocar-se invisivelmente a algum lugar, ele deverá concentrar-se na ideia de tornar sua atividade no Akasha totalmente neutra — portanto, sem ser registrada, i.e., sem deixar vestígios ali. Essa concentração é necessária pois, de outro modo, o mago deverá contar com o aumento de novas causas primordiais no Akasha, apesar de bastante ilegíveis.
O próprio mago é responsável pelas ações no mundo espiritual quando ficar invisível. O destino não poderá mais lhe pregar peças, pois o mago tornou-se senhor do Akasha, senhor de seu destino. Ele passa a estar basicamente subordinado à Providência Divina e só deve prestar contas a ela. Se um mago fizer um mau uso dessas práticas, ele terá que enfrentar não o seu destino, mas a Providência Divina. Se as suas ações provocarem uma influência negativa, o mago correrá o risco de ver a Providência Divina abandoná-lo, e ele passará a viver no Universo como uma individualidade isolada, contando só consigo mesmo. Ele perderá a única possibilidade de apoiar-se na Providência Divina e deverá ter certeza de que isso não seria só uma maldição. Não teria mais ninguém para olhar por ele; cedo ou tarde, ele sentiria o abandono nitidamente e estaria à mercê do declínio de toda a sua individualidade. O mago poderá imaginar bem o que isso significa do ponto de vista mágico.
Depois de dominar bem a invisibilidade na viagem mental, poderemos usar o mesmo processo também na exteriorização do corpo astral. Nesse caso, vale a mesma prática do carregamento de toda a personalidade com o Akasha, i.e., dos corpos mental e astral juntos. As outras regras são as mesmas já descritas. A invisibilidade promovida no plano material também pode ser promovida magicamente, só que ela não é feita com o Akasha, mas com a luz. O preenchimento do corpo físico com a luz deve corresponder à força da luz predominante no momento. Se a condensação de luz for mais forte do que o necessário, não nos tornaríamos invisíveis, mas transparentes e brilhantes, irradiando luz para fora como o sol. A invisibilidade física não é fácil, exige uma prática e um domínio de muitos anos e só pode ser promovida com êxito e sem problemas por adeptos de altíssimo nível.
Quando o mago alcançar uma boa prática na promoção da invisibilidade de seu corpo mental, astral ou eventualmente até material, ele poderá, sem esforço, tornar invisível também qualquer objeto do mundo material. Existe ainda uma outra possibilidade de promoção da invisibilidade de um objeto comum na medida em que transpomos o objeto da forma sólida à forma astral através da imaginação, em conexão com o Akasha; assim ele desaparece imediatamente do campo de visão de um não iniciado, i.e., de uma pessoa com os sentidos mágicos não desenvolvidos. Um objeto transposto à forma astral pode ser transportado pelas maiores distâncias por um corpo astral, que pode ser do mago ou de outro ser qualquer, ou por uma parte do corpo deles, que pode ser a mão. O mago, ou o ser que fez o transporte, só terá o trabalho de transpor o objeto do estado astral à forma material. Esse transporte de objetos também é feito em ampla escala pelos médiuns espíritas, caso se tratem de fenômenos de materialização incontestáveis que, apesar de muito raros, são perfeitamente possíveis.
Aquilo que as inteligências planetárias e extraplanetárias mais elevadas conseguem dominar, o mago também conseguirá — o mago que conhece as leis universais e que chegou ao topo do seu desenvolvimento. Existe ainda uma invisibilidade que é produzida pelo desvio dos sentidos, como a hipnose, a sugestão em massa, além daquela promovida por seres que produzem no corpo físico um certo número de vibrações correspondentes às vibrações da luz. Sobre esse capítulo da invisibilidade promovida por seres, darei algumas indicações na minha obra "Die Praxis der Magischen Evokation" (A Prática da Evocação Mágica).